MARCIO FERNANDES | ESTADAO CONTEUDO
MARCIO FERNANDES | ESTADAO CONTEUDO

Entenda o que é o Comperj

Unidade industrial foi projetada para potencializar ganhos com o pré-sal

Fernanda Nunes, O Estado de S.Paulo

07 Dezembro 2017 | 16h04

RIO - No centro das denúncias de corrupção da Operação Lava Jato, o Complexo Petroquímico do Estado do Rio de Janeiro (Comperj) foi um dos projetos mais audaciosos da Petrobrás. A cerimônia do início das obras contou com a presença do então presidente Lula, a quem coube anunciar os 200 mil empregos diretos e indiretos que seriam criados com a construção. A ideia era que na usina fossem processados o petróleo e o gás extraídos dos supercampos de pré-sal, o que geraria riqueza para a Petrobrás, economia local e União, que assim conseguiria cortar sobrepesos na sua balança comercial.

A unidade industrial foi projetada para potencializar os ganhos com o pré-sal, ao gerar derivados de alto valor agregado, da primeira e segunda gerações petroquímicas. Para tirá-la do papel, a estatal contava com a entrada de sócios privados e também do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que, de fato, nunca aconteceu. Como alternativa, num segundo momento, o Comperj foi redesenhado e passou a inserir também uma refinaria de combustíveis.

Ainda sem sócios, o modelo foi revisto mais uma vez em 2012 e atualmente se limita a uma refinaria com capacidade para produzir 165 mil barris por dia de derivados de petróleo de margens de lucro mais elevadas, como diesel e gasolina.

Pelas contas do Tribunal de Contas da União (TCU), a Petrobrás já gastou US$ 12,5 bilhões com o Comperj. No balanço financeiro de 2015, a empresa registrou baixa contábil de R$ 5,28 bilhões, dinheiro definitivamente perdido. Sobrevoando a área onde o complexo petroquímico que seria instalado no município de Itaboraí, na região metropolitana do Rio de Janeiro, porém, é possível perceber que os grandes gastos geraram poucos avanços nas obras. Dentro do extenso terreno abandonado, há partes de unidades produtivas e tanques de estocagem enferrujados.

À frente do projeto esteve Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás e delator na Operação Lava Jato, que hoje cumpre prisão domiciliar no Rio de Janeiro. Quando ainda era executivo da estatal, Costa costumava atribuir os atrasos no cronograma às sucessivas chuvas que, segundo ele, impediam a continuidade da terraplanagem do terreno.

Para tentar parte do dinheiro gasto, a empresa tenta, mais uma vez, atrair investidores. A estatal chinesa CNPC demonstrou interesse no negócio, que pode envolver ainda participações em outras refinarias brasileiras. Por enquanto, de certo há apenas a construção de uma unidade de processamento de gás natural (UPGN) no Comperj. A licitação do consórcio que irá construir a UPGN está em curso e a expectativa é de que sejam gastos R$ 2 bilhões nessa unidade, essencial para dar destino ao gás que vai ser produzido no pré-sal.

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