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Empresário terá ‘segunda chance’ com Moro

- Atualizado: 30 Janeiro 2016 | 22h 00

Fernando Moura será questionado sobre as contradições entre o depoimento prestado na semana passada e o conteúdo de sua delação premiada, em 2015

O empresário Fernando Moura tem novo encontro marcado com o juiz federal Sérgio Moro na próxima quarta-feira, em Curitiba. Ele deverá ser questionado sobre as contradições entre o depoimento prestado na semana passada e o conteúdo de sua delação premiada, feita ainda em 2015.

Na última quinta-feira, ele confirmou a procuradores ter mentido a Moro em interrogatório na ação penal que tem como réu o ex-ministro José Dirceu, desdizendo o conteúdo das revelações de sua delação premiada. Moura alegou ter se sentido vítima de uma “ameaça velada”. “Um dia antes de eu vir para a audiência, eu fui trocar minha carta de motorista (…) Saí do despachante, estava na Avenida 9 de Julho uma pessoa me abordou: ‘Oi, tudo bem? Como estão seus netos no Sul’. Eu falei: ‘Estão bem, obrigado’. E o cara falou ‘dá um abraço no Léo (filho) e tchau’”, contou Moura, diante de quatro procuradores da Lava Jato e de dois de seus advogados – que deixaram a defesa do lobista.

Lobista Fernando Moura (óculos), preso na 17ª fase da Operação Lava Jato

Lobista Fernando Moura (óculos), preso na 17ª fase da Operação Lava Jato

Delação sob risco. Por causa desse encontro, ele teria decidido alterar sua versão sobre dois episódios importantes envolvendo Dirceu. Na último dia 22, Moura foi interrogado no processo em que é réu por corrupção e lavagem de dinheiro na Petrobrás. Diante de Moro, ele deu a entender que não havia dito o que estava registrado em sua delação premiada sobre a participação do ex-ministro Dirceu na indicação de diretores na estatal e também na sugestão para que ele (Moura) deixasse o País durante o caso do mensalão (2005). 

A contradição entre o conteúdo dos dois depoimentos colocou sob risco o acordo de deleção premiada de Moura, que permite, entre outras coisas, que se mantenha fora da prisão.

“Fiquei completamente transtornado com isso (a ameaça velada).” Moura disse que ocultou o fato da família e de seus defensores, até ontem, quando sua delação foi colocada sob análise. “Eu fiquei preocupado porque eles moram em uma cidade pequena, que não tem proteção nenhuma”, disse.

Moura foi perguntado sobre a fisionomia da pessoa que supostamente o ameaçou. “Devia ter mais ou menos uns 40 anos de idade, um pouco maior do que eu. Não conheço, imagino que nem possa ser amigo dos meus filhos, porque eu conheço mais ou menos os amigos dos meus filhos, e meus amigos não têm amigos em Vinhedo (interior de São Paulo, onde ele vive).” O delator disse que precisa de uma “segunda chance.”.

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