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Empresário nega ter obtido crédito de empresa de Marcos Valério

Andreza Matais e Fausto Macedo - O Estado de S. Paulo

23 Agosto 2014 | 12h 49

Ronan Maria Pinto confirmou empréstimo com a Remar Agenciamento e Assessoria LTDA, mas nega transação com operador do mensalão

 BRASÍLIA - O empresário Ronan Maria Pinto confirmou, por meio de sua assessoria, que tomou empréstimo com a Remar Agenciamento e Assessoria LTDA, “para o giro de suas atividades empresariais”, mas nega que o tenha obtido crédito de empresa de Marcos Valério, operador do mensalão.

O Estado revelou neste sábado, 23, que um contrato de empréstimo foi encontrado pela Polícia Federal no escritório da contadora do doleiro Alberto Yousseff, preso pela PF acusado de comandar esquema de lavagem de dinheiro, tráfico de drogas e desvio de dinheiro de contratos da Petrobrás. 

“Ronan Maria Pinto não tomou qualquer empréstimo de nenhuma empresa pertencente ao sr. Marcos Valério. Obteve crédito na Remar, para o giro de suas atividades empresariais”, afirmou a assessoria do empresário do ABC. Na resposta ao Estado, o empresário também afirmou que “não conheceu o senhor Marcos Valério, exceto pelo noticiário jornalístico.”

O contrato apreendido, contudo, é de um empréstimo de R$ 6 milhões entre a 2 S Participações LTDA, empresa de Marcos Valério, e a Expresso Nova Santo André, de Ronan Maria Pinto. O documento é assinado por Valério e a Remar Agenciamento. No último parágrafo do contrato, contudo, está escrito que a empresa de Ronan é a mutuaria do empréstimo.

Ainda por meio da assessoria de imprensa, Ronan afirmou ao Estado que já “desmentiu” declaração de Valério ao Ministério Público de que a cúpula do PT lhe pediu R$ 6 milhões para comprar o silêncio do empresário que estaria chantageando o partido com revelações sobre a morte do prefeito de Santo André, Celso Daniel, que foi assassinado. “A declaração do sr. Marcos Valério já foi publicamente desmentida. Ronan jamais conversou com ele, não o conhece pessoalmente, e não lhe fez, portanto, qualquer tipo de solicitação.”

Ronan teria relacionado o ex-presidente Lula, o ministro Gilberto Carvalho e o ex-ministro José Dirceu a suspeitas de corrupção na cidade que teriam motivado a morte do prefeito petista em 2002. A conclusão da polícia é de que ele foi vítima de um crime comum e não político.