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Empresário diz que não sabia de todas as cláusulas

Lu Aiko Otta - O Estado de S. Paulo

20 Março 2014 | 21h 53

Gerdau, que se manteve no Conselho de Administração, ainda destaca pareceres técnicos favoráveis; para economista, decisão era bem fundamentada

O empresário Jorge Gerdau Johannpeter, do grupo Gerdau, que ainda mantém cadeira no Conselho de Administração da Petrobrás, afirmou nesta quinta-feira, 20, por meio de nota que "ao aprovar em 2006 a operação de compra e 50% de participação na refinaria Pasadena não tinha conhecimento, como os demais conselheiros, das cláusulas Put Option e Marlim do contrato".

A primeira dessas cláusulas obrigou a Petrobrás, posteriormente, a comprar 100% da refinaria, dando prejuízos para a estatal. Essa é a mesma versão apresentada pela presidente Dilma Rousseff, à época presidente do conselho, para justificar seu apoio ao negócio que custou mais de US$ 1 bilhão.

Gerdau afirmou ainda na nota que o negócio foi decidido com base em "avaliações técnicas de consultorias com reconhecida experiência internacional, cujos pareceres apontavam para a validade e a oportunidade do negócio." Essas avaliações levavam em consideração as "boas" perspectivas econômicas daquele momento. "Entretanto, a crise global de 2008 alterou drasticamente o potencial de crescimento do mercado nos anos subsequentes."

O ex-conselheiro Claudio Luiz Haddad, economista e empresário, defendeu ontem que o Conselho de Administração da estatal dispunha de informações "fundamentadas" para a aprovação da compra da refinaria. Segundo ele, o ex-diretor da área internacional, Nestor Cerveró, fez uma apresentação "consistente" do negócio e recomendou sua aprovação.

Haddad lembrou que as negociações foram assessoradas por uma instituição financeira, que também deu aval às condições de compra da refinaria. "Ele (o banco) atestou que o preço se enquadrava à prática do mercado, e as condições eram normais. Sendo uma apresentação consistente, não havia nada que oferecesse qualquer tipo de duvida", disse o ex-conselheiro.

A aprovação da compra de Pasadena foi a última participação de Haddad no colegiado da estatal, que no mês seguinte, em abril de 2006, ganhou nova formatação. "Se houve omissão, não saberia dizer", completou.

Segundo o economista, a prática nas reuniões de Conselho era que um dos diretores das áreas pertinentes ao assunto debatido fizesse uma apresentação "substanciada" aos integrantes do colegiado. "No caso, eram as diretorias de Internacional e de Refino e Abastecimento", completa. Os cargos eram ocupados por Nestor Cerveró, que viajou para Europa na quarta-feira, e Paulo Roberto Costa, preso nesta quinta pela Polícia Federal.

Haddad afirma ainda que na reunião a compra da refinaria de Pasadena foi defendida por Cerveró. "Recomendou-se a aprovação. Jamais o conselho aprovaria uma operação se não estivesse bem fundamentada. O conselho é última instância. Quando chega ali, a administração já explorou exaustivamente vários pareceres." Em nenhum momento, segundo ele, se questionou os altos valores do negócio, estimado em US$ 360 milhões.

Valores. Também não foi feita comparação com o valor pelo qual a refinaria foi adquirida um ano antes, pela empresa belga Astra Oil – US$ 42,5 milhões. "Naqueles anos antecedentes a decisão, o preço do petróleo subiu bastante. Isso pode perfeitamente acontecer. As condições de mercado levam a uma mudança de patamar", defendeu.

Haddad diz que não acompanhou o caso após deixar o conselho. E prefere não avaliar se houve equívoco. "Negócio é feito com base nas condições de mercado, ambiente e contexto da época. Se as condições mudam anos depois, para mal ou para bem, são coisas que acontecem. Tem sempre de ser julgado com base no contexto de quando a decisão é tomada."