Ricardo Stuckert
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Em Vitória, Lula reitera que vai ser candidato

Ex-presidente ignora possibilidade de ser barrado pela Justiça e manda recado ao mercado: 'Eles vão ter que me engolir'

Ricardo Galhardo, Enviado especial

04 Dezembro 2017 | 23h30

VITÓRIA - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pré-candidato à Presidência da República pelo PT, minimizou nesta segunda-feira, 4,  em Vitória, durante a abertura da caravana de cinco dias pelos estados eu Espírito Santo e Rio de Janeiro, a importância do mercado financeiro quanto a um possível terceiro mandato.

Em discurso de forte teor eleitoral, o ex-presidente dispensou o apoio do mercado, disse que é vítima de “terrorismo” e que não despiu o figurino “Lulinha paz e amor”. Lula disse ainda que não depende do apoio do setor financeiro para se eleger, mas o contrário. Segundo o petista, são os donos do dinheiro que vão precisar dele caso seja eleito. 

“Eu continuo Lulinha paz e amor. Quero voltar Lulinha paz e amor. Não adianta o mercado ficar criando terrorismo. Eu não vou pedir voto para o mercado. O mercado vai precisar muito mais de mim do que eu deles”, disse Lula.

A expressão “Lulinha paz e amor” surgiu na campanha de 2002 quando o petista foi questionado se partiria para o confronto com seu principal adversário, o senador José Serra (PSDB), nos debates da TV.

Lula prepara uma nova Carta ao Povo Brasileiro, documento elaborado em 2002 com o objetivo de acalmar o mercado. O texto, que ainda não começou a ser elaborado, agora será voltado para setores da classe média que apoiaram o imperachment da presidente cassada Dilma Rousseff e culpam a suposta irresponsabilidade fiscal dos governos petistas pela crise econômica. 

O petista, que foi condenado em primeiro instância a 9 e 6 meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, também minimizou a possibilidade de ser barrado pela Justiça. 

“Não fiquem com essa bobagem de que o Lula não vai ser candidato. Vou ser candidato e vou ganhar as eleições", disse o ex-presidente diante de uma praça lotada na região central da capital capixaba.

Embalado pelo bom resultado nas pesquisas de opinião, que apontam sua liderança em todos os cenários testados, Lula demonstrou estar confiante de que seu nome estará nas urnas eletrônicas em outubro do ano que vem. “Eles sabem que vão ter que me englir como disse o Zagallo. Eles vão ter que me engolir”, afirmou.

Lula chegou a zombar da baixa popularidade do presidente Michel Temer na abertura da caravana. “Se a Dilma teve que sair segundo a lógica deles porque ela tinha perdido a governabilidade porque estava mal nas pesquisas, e o Temer? O Temer quando terminar esse golpe dele vai estar devendo para o Ibope e para o Datafolha porque (o índice de aprovação)  vai ser negativo”, disse Lula.

Novo. Enquanto vários partidos e analistas apostam no surgimento de um nome de fora da política para a disputa presidencial do ano que vem, Lula disse que o Brasil não precisa de um gestor mas de um político experiente. 

“Esse país não está precisando de um gestor porque o Brasil não pode ser governado como se fosse uma oficina mecânica. Esse país está precisando de um político que conheça o povo brasileiro. Se eles têm vergonha de ser políticos, eu não tenho. Se eles tem vergonha do partido deles, eu não tenho”, afirmou.

Depois de o apresentador e empresário Luciano Huck ter dito que não vai disputar a eleição do ano que vem, Lula afirmou que seus adversários ainda buscam um nome, ironizou as especulações em torno do “artista da Globo” e voltou a dizer que quer enfrentar em 2018 um adversário que tenha “carimbado na testa” os símbolos do mercado e de grandes veículos de imprensa. Além da Globo, ele citou as revistas semanais “Veja”, “Época” e “IstoÉ”.

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