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Em resposta à oposição, aliados vão ao STF para barrar CPI da Petrobrás

Débora Álvares e Ricardo Brito

09 Abril 2014 | 11h 13

Em reunião tensa para decidir abrangência da investigação no Congresso, senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) reage a oposicionistas que recorreram ao Supremo a fim de garantir comissão exclusiva para apurar denúncias contra estatal

Brasília - A senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) afirmou nesta quarta-feira, 9, que vai se valer da mesma arma de oposicionistas e pedir ao Supremo Tribunal Federal (STF) que conceda uma liminar para suspender a instalação da CPI da Petrobrás proposta pela oposição.

"Quero dizer a esta comissão que, assim como a oposição, apresentaremos também um mandado de segurança ao Supremo Tribunal Federal com base nos mesmos argumentos para que se conceda uma liminar para que se suspenda a instalação da CPI por não atendimento da determinação e conexão dos fatos", disse a ex-ministra da Casa Civil da presidente Dilma Rousseff, na reunião da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) que discute a abrangência da comissão de inquérito.

O Palácio do Planalto tem dado uma orientação clara a aliados: impedir a qualquer custo o início de qualquer investigação no Congresso Nacional. Para tentar garantir a investigação exclusiva sobre a estatal, aliados de Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB) entraram ontem com um mandado de segurança com pedido de liminar no STF. Em resposta, a senadora disse que vai usar do mesmo caminho para impedir a CPI.

A afirmação de Gleisi deu início a um bate-boca com o líder do PSDB na Casa, senador Aloysio Nunes (SP), que disse à senadora que ela "está no mundo da lua". "A senhora não quer CPI e ponto final", disse o tucano em reação à afirmação da petista de que "falta coerência à oposição". Gleisi rebateu dizendo que os tucanos têm que explicar os motivos pelos quais não permitiam a criação de CPIs durante o governo Fernando Henrique Cardoso.

Gleisi tem tomado a frente na defesa dos interesses do governo. Semana passada, após a oposição protocolar o requerimento que pede a instalação de uma CPI exclusiva da Petrobrás, a senadora colocou uma questão de ordem, alegando que os objetos propostos são desconexos e, portanto, a comissão seria inconstitucional. São quatro os objetos propostos nessa CPI, todos referentes à estatal.

No mesmo dia, os governistas propuseram uma CPI "combo", para investigar a Petrobrás e também irregularidades no metrô de São Paulo e do Distrito Federal, além do porto de Suape. Sem querer arcar com o ônus de barrar a CPI, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), mandou a decisão final para a CCJ que discute nesse momento o futuro da CPI.