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Em represália ao PT, PMDB-RJ pode apoiar Aécio

LUCIANA NUNES LEAL - Agência Estado

24 Fevereiro 2014 | 18h 09

Em resposta à candidatura do senador Lindbergh Farias (PT) ao governo do Rio de Janeiro, o PMDB-RJ deverá aprovar em convenção estadual a rejeição à reeleição da presidente Dilma Rousseff e o apoio ao tucano Aécio Neves. O presidente regional do partido, Jorge Picciani, disse nesta segunda-feira, 24, que a proposta é apoiada pela maioria dos integrantes da legenda com voto na convenção.

Segundo Picciani, a candidatura de Lindbergh inviabiliza o apoio do PMDB-RJ a Dilma, porque o partido não aceita palanque duplo para a presidente. Lindbergh foi lançado candidato no último sábado, 22, com festa na quadra da escola de samba Salgueiro. O candidato do PMDB à sucessão do governador Sérgio Cabral é o vice, Luiz Fernando Pezão, que assumirá o governo no dia 3 de abril.

Apesar da movimentação do comando estadual do partido para deixar Dilma e apoiar Aécio, Cabral e Pezão tornaram público o apoio à reeleição da presidente.

O presidente do PMDB-RJ disse que a convenção fluminense está marcada para junho, mas poderá ser antecipada, para formalizar logo o apoio a Aécio. "Eu sempre disse que sou contra a tese do palanque duplo. Nós sempre defendemos a reeleição da presidente Dilma, mas, se não houver reciprocidade no Rio, com apoio do PT a Pezão, vou encaminhar contra o apoio a Dilma. Minha posição é afunilar o mais rapidamente para a candidatura de Aécio Neves. Essa posição é amplamente majoritária entre os que votam na convenção do PMDB do Rio", afirmou Picciani.

"Vou botar em votação este encaminhamento e, se for aprovado, não volto mais atrás. Mesmo que o Lindbergh desista de concorrer, não vamos mudar a decisão", disse o dirigente peemedebista. Picciani afirmou que a rejeição ao palanque duplo também vale para Aécio e, se o PMDB fechar com o PSDB, espera que o candidato tucano à Presidência da República faça campanha apenas ao lado de Pezão. "O governador Aécio tem todo direito de buscar candidatos e um palanque no Rio. Se o PMDB do Rio, de forma majoritária, optar pelo apoio a ele, acredito que ele conduzirá o PSDB para nossa aliança", declarou.

Coordenador da campanha de Pezão, Picciani disse que tem evitado tratar da retirada do apoio a Dilma com Cabral e Pezão, já que eles apoiam a presidente. "Vou aguardar o tempo deles", afirmou.

Com 15% dos votos, o PMDB-RJ deverá votar em peso contra o apoio a Dilma também na convenção nacional, apesar de o vice-presidente Michel Temer ser do partido. Picciani reconhece, porém, que "não quer dizer que será decisivo" e a tendência do PMDB nacional é manter a aliança com Dilma.

Cabral deverá ser candidato ao Senado, mas a formação final da chapa de Pezão dependerá dos acordos com outros partidos, segundo Picciani. Outra opção é ser candidato a deputado. "A candidatura inamovível é a de Pezão. Cabral vai fazer o que for melhor para a candidatura de Pezão, para o partido, para o Estado. O governador é líder do partido, colocou seu nome à disposição. Ninguém tem mais preocupação com o destino do Rio de Janeiro do que Cabral", disse.

Boquinha

Picciani reclamou dos ataques de Lindbergh ao governo Cabral e ironizou a saída do PT do governo do Estado, depois de sete anos de aliança. O PT tinha duas secretarias, de Meio Ambiente e de Assistência Social e Direitos Humanos, entregues no mês passado. "Foi difícil para eles sair da boquinha, foi uma decisão sofrida", provocou. "Eles vêm batendo muito em nós e nós não fazemos isso com o governo Dilma", disse o dirigente peemedebista.