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Eleições 2014

Em Recife, eleitores já guardam lugar para velório de Campos

Angela Lacerda, Daiene Cardoso e João Domingos - O Estado de S. Paulo

15 Agosto 2014 | 03h 00

Autoridades preparam missa campal e preveem multidão maior que as 80 mil pessoas que foram ao funeral de Arraes, avô do candidato

Nove anos após a morte do ex-governador Miguel Arraes, o cerimonial do Palácio do Campo das Princesas e a Casa Militar de Pernambuco estimam que o funeral de seu neto, Eduardo Campos, mobilize uma multidão maior que as 80 mil pessoas que acompanharam, em 2005, o cortejo até o Cemitério Santo Antônio. As autoridades preveem que, se os restos mortais do candidato do PSB à Presidência e das demais vítimas do acidente aéreo ocorrido na quarta-feira, em Santos (SP), forem liberados até amanhã, o sepultamento possa ocorrer na tarde de domingo.

As imediações do Campo das Princesas, sede do governo estadual, foram isoladas e desde ontem admiradores do ex-governador de 49 anos se aglomeram na praça em frente ao palácio. Como o velório será coletivo (mais informações abaixo), a cerimônia pode ser realizada no interior do prédio ou na área externa. Está prevista também uma missa campal, que será celebrada pelo arcebispo de Olinda e Recife, d. Fernando Saburido.

O volume de pessoas na despedida de Campos deve superar o de Arraes, considerado até então o de maior comoção popular em Pernambuco. Há informações de que caravanas vindas do interior do Estado estão sendo organizadas para a cerimônia. Fora isso, políticos e autoridades de todo o País devem ir ao Recife para o funeral. Ao renunciar ao governo, em 4 de abril, para se dedicar à campanha presidencial, Campos reuniu 15 mil pessoas diante do palácio.

Imediações do Campo das Princesas, sede do governo estadual, foram isoladas
Imediações do Campo das Princesas, sede do governo estadual, foram isoladas

 

Mausoléu. Uma das filhas do ex-governador Miguel Arraes autorizou nesta quinta-feira a alteração do jazigo da família para que seja enterrado o corpo do ex-governador Eduardo Campos (PSB). Será montada uma nova gaveta funerária, que vai elevar o jazigo em 80 centímetros.

No fim da tarde, o prefeito do Recife, Geraldo Júlio (PSB) disse que a data do funeral é incerta e "não está condicionada à vontade de ninguém". "Só podemos dar uma previsão. A confirmação só vai poder ser feita no fim dos trabalhos (de reconhecimento dos corpos)", afirmou. "A previsão é para sábado. Se houver condição de transporte dos corpos no sábado, é provável que o velório seja realizado ainda no dia e o enterro, no domingo. Mas é apenas uma previsão, nossa atenção está voltada para as famílias."

Segundo o governo local, foi oferecido um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) para o traslado dos corpos. Assim que chegarem na base aérea de Recife, devem seguir em carro funerário até a sede do governo. Se isso ocorrer no sábado, o velório será realizado até a tarde de domingo.

O cerimonial estuda a possibilidade dos restos mortais de Campos seguir em carro aberto do Corpo de Bombeiros até o cemitério, como ocorreu no funeral de Arraes. A população poderá seguir o cortejo a pé.

Comoção. Em clima de consternação, admiradores de Arraes que aprenderam a gostar de Campos passaram o dia à espera de informações sobre o início do funeral do ex-governador.

"Trabalhei com o avô dele. Eduardo era uma pessoa simples, considerado quase como da família", disse o aposentado João Romão, de 66 anos, que chegou às 6 horas. "Ele foi um ótimo governador. Gosto dele, ele é gente boa", afirmou o aposentado Marcelo Mello dos Santos, de 49 anos, que também esteve na cerimônia de desincompatibilização de Campos.

Os admiradores falavam da dor da perda do político que aprenderam a respeitar nos últimos anos. Cosme Eugênio da Cruz, de 76 anos, saiu de Bom Jardim, no interior do Estado, e dormiu na praça para esperar o velório. "Arraes era para mim como um pai. Ele deu liberdade ao povo do campo", afirmou. 

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