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Em pronunciamento na TV, Dilma defende Copa e ataca 'pessimistas'

Rafael Moraes Moura e Tânia Monteiro

10 Junho 2014 | 21h 30

A dois dias da competição, presidente exalta obras de infraestrutura e responde a críticas de que deveria investir em educação e saúde

Brasília - A dois dias do início da Copa do Mundo, a presidente Dilma Rousseff convocou nesta terça-feira, 10, a rede nacional de rádio e televisão para atacar a oposição, exaltar obras do seu governo na área de infraestrutura e prometer punição em caso de irregularidades constatadas por órgãos de fiscalização. Temendo vaias, a presidente não vai discursar na abertura do torneio, nesta quinta-feira, 12, em São Paulo, limitando-se a declarar a abertura da competição.

Em sua fala de dez minutos, a presidente prometeu garantir a liberdade de manifestação e "coibir excessos e radicalismos de qualquer espécie". Dilma também fez questão de responder às críticas de que o governo federal deveria investir mais em educação e saúde, em vez de direcionar recursos para a realização do evento esportivo, classificando essa discussão como um "falso dilema".

"Como se diz na linguagem do futebol: treino é treino, jogo é jogo. No jogo, que começa agora, os pessimistas já entram perdendo. Foram derrotados pela capacidade de trabalho e a determinação do povo brasileiro, que não desiste nunca. Os pessimistas diziam que não teríamos Copa porque não teríamos estádios. Os estádios estão aí, prontos", afirmou a presidente.

"Diziam que não teríamos Copa porque não teríamos aeroportos. Praticamente, dobramos a capacidade dos nossos aeroportos. Chegaram a dizer que iria haver racionamento de energia. Quero garantir a vocês: não haverá falta de luz na Copa, nem depois dela. Chegaram também ao ridículo de prever uma epidemia de dengue na Copa em pleno inverno, no Brasil!", disse Dilma.

A presidente também anunciou que, com o evento, está sendo entregue um "moderno sistema de comunicação e transmissão" em todas as 12 cidades-sede, mas evitou garantir que não haverá problema de funcionamento de aparelho celular e transmissão de dados nos estádios, como havia dito dias atrás.

Ao falar da demanda nos aeroportos brasileiros, Dilma destacou que, "com o aumento do emprego e da renda", o número de passageiros transportados saltou de 33 milhões em 2003 para 113 milhões no ano passado.

Em outro momento, a presidente comentou as mudanças ocorridas no Brasil entre 1950, quando houve a primeira Copa do Mundo sediada no País, e 2014.

"Hoje, somos a sétima economia do planeta e lideres, no mundo, em diversos setores da produção industrial e do agronegócio. Nos últimos anos, nosso país promoveu um dos mais exitosos processos de distribuição de renda, de aumento do nível de emprego e de inclusão social", disse Dilma, repetindo um discurso ufanista reforçado com a aproximação da campanha eleitoral.

"Reduzimos a desigualdade em níveis impressionantes, levando, em uma década, 42 milhões de pessoas à classe média e retirando 36 milhões de brasileiros da miséria."

Dilema. Em resposta às críticas sobre as despesas com a realização do Mundial, Dilma disse que "é preciso olhar os dois lados da moeda" e pediu que os brasileiros tenham uma noção "correta" de tudo que aconteceu, "sem falso triunfalismo", mas também sem "derrotismo ou distorções".

"A Copa não representa apenas gastos, ela traz também receitas para o país. É fator de desenvolvimento econômico e social, gera negócios, injeta bilhões de reais na economia, cria empregos", disse. "Uma Copa dura apenas um mês, os benefícios ficam para toda vida."

De 2010 a 2013, observou Dilma, governo federal, Estados e municípios investiram R$ 1,7 trilhão em educação e saúde, um valor "212 vezes maior" que o destinado às novas arenas.

"Vale lembrar, ainda, que os orçamentos da saúde e da educação estão entre os que mais cresceram no meu governo", ressaltou.

Sobre as denúncias de corrupção envolvendo a organização do torneio, a presidente afirmou que as contas da Copa estão sendo "analisadas, minuciosamente, pelos órgãos de fiscalização". "Se ficar provada qualquer irregularidade, os responsáveis serão punidos com o máximo rigor", prometeu Dilma.