Christina Rufatto
Christina Rufatto

Em programa de TV, Doria reafirma que não enfrentará Alckmin nas prévias do PSDB

O prefeito de São Paulo também defendeu na entrevista a privatização da Petrobras e falou sobre a demissão do prefeito regional da Casa Verde

O Estado de S.Paulo

18 Novembro 2017 | 13h07

O prefeito de São Paulo, João Doria, negou a possibilidade de haver uma fissura ou um distanciamento entre ele e o governador do Estado, Geraldo Alckmin. Em entrevista à jornalista Mariana Godoy nesta sexta-feira, na RedeTV, Doria descartou novamente participar de prévia dentro do PSDB com Alckmin. O prefeito também rechaçou a ideia de sair do partido. "Não há razão para eu sair." Ainda, defendeu a privatização da Petrobras e Eletrobras e que a reforma da Previdência seja feita agora.

Doria reafirmou que não se apresenta como pré-candidato do PSDB à Presidência da República, e sim como prefeito eleito da cidade de São Paulo, mas que fica muito feliz por ser lembrado. "Tem tempo ainda para uma decisão como essa. Mas posso antecipar que, daqui de São Paulo, eu e o governador Geraldo Alckmin sairemos unidos", disse.

Conforme o prefeito, não há a menor possibilidade de haver uma rachadura entre ele e Alckmin, de darem um "mau exemplo para o Brasil". De acordo com ele, não faria sentido disputar uma prévia dentro do partido com o governador. "Eu sou amigo do Geraldo Alckmin. Tenho gratidão por ele e nos falamos constantemente. Como posso disputar com Geraldo Alckmin. Não faz sentido isso. Para mim não faz e para ele também não", afirmou. Doria admitiu também que tem tido boas conversas com o governador, e que ele é um bom interlocutor.

Na entrevista, ao comentar que o País precisa de mais investimentos e menos impostos, Doria foi questionado sobre a taxação recente dos serviços de streaming em São Paulo. "Eu não aumentei impostos", respondeu. "Mas você tem que pagar impostos", completou. "Vem uma empresa americana de streaming e oferece lazer e entretenimento e não paga impostos?", disse. "Comigo não. Vai pagar imposto, claro, e vai servir de referência para todo o Brasil", emendou.

++ 'Igrejas podem e devem pagar impostos também', defende Doria

Doria destacou na entrevista a diminuição das suas viagens pelo País, em resposta à possibilidade de as críticas à ausência dele da cidade estarem atreladas à queda na sua taxa de aprovação. "De fato, talvez em excesso, tenham prejudicado", reconheceu. "A sensibilidade e a humildade determinam que é melhor ouvir a voz das ruas e eu já reposicionei isso. Então, estamos viajando menos. E trabalhando mais, mais tempo e com mais dedicação", afirmou.

Ainda de acordo com ele, o episódio recente envolvendo o presidente interino do PSDB, Alberto Goldman, quando ambos trocaram farpas pela internet, foi superado. "Já nos reconciliamos. O erro foi meu e reconsiderei", afirmou, acrescentando que ambas as questões - redução das viagens e conciliação - devem resultar em "inflexão" no índice de aprovação. Também reafirmou que "faltou comunicação" em relação à adoção da farinata e que a Prefeitura não irá mais fazer. 

Lula e Bolsonaro 

Segundo Doria, seria ruim para o País ter apenas duas alternativas, caso do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) nas eleições de 2018. "Não quero fazer juízo de valor nem sobre o Lula, embora possa, nem sobre o Bolsonaro, mas seria muito triste para o Brasil ter apenas essas duas opções", disse. Segundo Doria, melhor seria ter mais alternativas, mas sobretudo alguém que tenha um pensamento liberal e voltado para atender as necessidades da população mais pobre e humilde que está preocupada com o desemprego.

Indagado sobre a decisão da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) de revogar a prisão do presidente da Casa, deputado Jorge Picciani, do deputado Paulo Melo e do líder do governo, deputado Edson Albertassi, todos do PMDB, que teria sido motivada pelo caso do senador Aécio Neves, que foi reconduzido ao cargo, Doria disse: "Não se trata de fazer uma análise do meu partido ou da minha própria análise. É a Constituição. Tem de respeitar a lei, ou mude a Constituição. Não pode, em função do seu desejo, confrontar a lei, rasgar a Constituição. No dia que se disser isso, destrói o País... Isso se chama totalitarismo, ditadura. Não pode", disse.

Privatizações 

"Sou totalmente a favor da privatização da Eletrobras, aeroportos, portos, ferrovias, hidrovias, Petrobras", disse Doria, acrescentando, no caso da petroleira, que ela seja "inteira". "A Agência Nacional do Petróleo já garante aquilo que é importante do ponto de vista do Estado para a política energética. Não faz sentido manter a Petrobras sob domínio e controle governamental". No caso de Banco do Brasil e Caixa, o prefeito defendeu que haja apenas uma instituição. Ambos, segundo ele, vêm sendo bem administrados, "mas não faz sentido duas". "Basta uma, eficiente e competitiva".

Sobre a Previdência, o ideal, segundo Doria, é que a reforma seja feita agora, antes da eleição de 2018, e de forma ampla. Contudo, afirmou que não é isso que deverá acontecer, pois não há tempo suficiente e talvez também não haja apoio "competente" para isso. "Parte dela, sim, eu ainda acredito, a que estabelece, por exemplo, um novo teto de idade, que no caso seria 65 anos para homens e 62 para mulheres. Embora eu entendo que deveria ser igual, 65/65", disse, na entrevista.

Demissões na Prefeitura

O prefeito de São Paulo aproveitou o espaço para criticar a conduta de Paulo Cahim, ex-prefeito regional da Casa Verde/Cachoeirinha. Cahim foi demitido na última quarta-feira (15), após reclamar de falta de verbas para obras contra as enchentes. Segundo o prefeito, quem está no governo tem de trabalhar. "Imagina se eu ficasse reclamando o programa inteiro do Fernando Haddad (ex-prefeito de SP, do PT), da dívida que ele deixou, disso, daquilo... As pessoas diriam: 'Mas, espera aí, dez meses e continua reclamando o tempo inteiro?'", afirmou.

Ainda de acordo com Doria, não há nenhum tipo de censura e os funcionários são orientados a trabalhar, mas podem fazer pontuações. "Em vez de reclamar, trabalhe, use o tempo para produzir, atender à população. Se tem dificuldade, discuta dentro e não fora", sugeriu.

Doria disse que nesses meses como prefeito aprendeu a aumentar a resiliência pois os enfrentamentos são muito grandes numa cidade como São Paulo. Para ele, é preciso ter muita resistência e capacidade para manter o otimismo e a determinação. Tudo isso, completou, para que se possa ser um bom líder e um bom exemplo para a equipe. "Sempre predisposto a melhorar, a aprender, a evoluir e a ter resignação."

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