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Em nova etapa da Operação Lava Jato, PF foca Petrobrás

Atualizado às 12h25 - Andreza Matais e Murilo Rodrigues Alves

11 Abril 2014 | 10h 47

Polícia Federal cumpre 23 mandados de busca, apreensão e prisão para investigar relação de esquema de lavagem de dinheiro de empresas que prestam serviços à estatal

Brasília - A Polícia Federal cumpre 23 mandados de busca, apreensão e prisão, na manhã desta sexta-feira, 11, em nova fase da Operação Lava Jato, de combate a lavagem de dinheiro. Os mandados estão sendo cumpridos nas cidades de São Paulo, Campinas, Rio de Janeiro, Macaé e Niterói e inclui duas prisões temporárias, seis conduções coercitivas – quando a pessoa é levada apenas para prestar depoimento – e 15 buscas e apreensões. O Estado apurou que nesta fase da operação o foco são as relações do esquema criminoso com a Petrobrás.

Uma das empresas que estariam sendo investigadas seria a Ecoglobal Ambiental, com sede em Macaé (RJ), que fechou contratos sem licitação com a estatal nos últimos anos. O sócio majoritário da empresa, Vladimir Magalhães da Silveira, foi levado para prestar depoimento e será liberado em seguida. O Estado tentou contato com a empresa, mas ninguém quis falar sobre o assunto. A PF estaria investigando um contrato específico entre a Ecoglobal e a Petrobrás que não teria sido publicizado.

A Petrobrás contratou Ecoglobal pelo menos duas vezes. Em abril de 2009, a estatal fechou um contrato de R$ 9,5 milhões para serviços técnicos especializados de recuperação de efluentes. Em janeiro de 2010, a petroleira contratou a mesma empresa para serviços de tratamento e descarte de água oleosa, por R$ 4,8 milhões.

A Lava Jato foi desencadeada no dia 17 de março, quando o doleiro Alberto Youssef foi preso, acusado de lavar dinheiro de propinas de fornecedores da petroleira. A primeira fase da operação focou na atuação dos doleiros. A operação cumpriu 24 mandados de prisão, além de apreender documentação, veículos, obras de arte e joias em 17 cidades de seis Estados e no Distrito Federal. Youssef já havia sido condenado no caso Banestado, esquema montado nos anos 90 de evasão para o exterior de US$ 30 bilhões. Entre os presos estava também o ex-sócio da Bônus-Banval Enivaldo Quadrado, condenado por envolvimento no mensalão.

Três dias depois, Paulo Roberto da Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás, foi preso pela Polícia Federal sob a suspeita de corrupção passiva em razão de suas relações com o doleiro. Em sua casa, a PF encontrou grande quantia de dinheiro em espécie - US$ 180 mil e R$ 720 mil.Costa também é investigado pelo Ministério Público Federal do Rio de Janeiro por irregularidades na compra pela Petrobrás da refinaria de Pasadena, no Texas, Estados Unidos. O ex-diretor foi um dos responsáveis por elaborar o contrato da compra da refinaria.