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Em Minas, Dilma critica demora de 23 anos para construção de rodovia

Gustavo Porto, Carla Araújo e Marcelo Portela - Agência Estado

12 Maio 2014 | 17h 01

Presidente cita relato de padre sobre acidente sem mencionar que, nesse período, PSDB governou o País por 8 anos e PT, por 12

Ribeirão Preto - Ao assinar ordens de serviço para melhorias em uma rodovia federal em Ipatinga (MG), na tarde desta segunda-feira, a presidente Dilma Rousseff fez uma crítica velada aos tucanos, mas atingiu de forma indireta sua própria gestão e a do antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva. A petista disse que "um país não pode esperar 23 anos para fazer uma rodovia", sem levar em conta que, nesse período, o Brasil foi governado durante 8 anos pelo PSDB e vai completar 12 sob gestão do PT.

Dilma autorizou o início dos serviços dos primeiros cinco dos sete lotes já licitados para duplicação e melhorias do trecho de 303 quilômetros da BR-381, entre Belo Horizonte (MG) e Governador Valadares (MG). Na solenidade, a presidente citou o discurso anterior de um padre, que há 23 anos perdeu os pais em um acidente na rodovia. “Um país não pode esperar 23 anos para fazer uma rodovia, principalmente pela dupla importância da rodovia: a primeira, pela preservação das vidas humanas, pois as rodovias têm de ser da vida, e não da morte. Outra é pela importância do Vale do Aço. Aqui foi onde a indústria pesada brasileira começou”, afirmou Dilma. “Essa rodovia não podia de fato esperar 23 anos. Mas, num período desse, não se fazia projetos no Brasil, tampouco se investia em rodovias.”

Dilma citou os R$ 8 bilhões de investimento do governo federal em rodovias no Estado e citou Lula. “Nunca, como dizia o presidente Lula, nunca antes na história se colocou tanto dinheiro em rodovias”, afirmou. “Aqueles que criticam agora, nos oito ou dez anos que estiveram à frente do País, não fizeram a rodovia”, completou Dilma, referindo-se ao período de governo do tucano Fernando Henrique Cardoso.

Dilma avaliou que a maior importância das obras da BR-318 é garantir a qualidade de vida com empregos e citou o custo total de R$ 2,5 bilhões nas obras da rodovia e, novamente, rebateu as críticas dos adversários, feitas após vários anúncios, sem sucesso, do início da duplicação e das melhorias da rodovia. “No passado, pensamos em colocar esse trecho em concessão em 2011. Por que o governo recuou dessas propostas e foi refazê-la por meio do sistema de obras públicas? Porque pelo trecho de duplicação teríamos tarifa de pedágio muito alta e mudamos para obra pública e isso explica o ano de atraso”, disse. “As promessas que fiz eu vou cumprir.”

No trecho anunciado hoje será investido R$ 1,33 bilhão, em 200 quilômetros, e o prazo de término da obra é de quatro anos. Outros quatro lotes ainda estão em fase de negociação com as empresas participantes do processo.

Protesto. Moradores de Nova Era (MG), distante 80 quilômetros de Ipatinga, aproveitaram a visita da presidente para interditar a rodovia e protestar contra as condições da BR-381. Segundo a polícia rodoviária, manifestantes fecharam os dois sentidos da estrada pela manhã e, no meio da tarde, o congestionamento chegava a cerca de 10 quilômetros em cada sentido. Os manifestantes usaram pedaços de madeira, pneus queimados e até a carcaça de um caminhão que explodiu no local na noite de domingo para fechar a BR-381. A explosão causou danos em residências que ficam às margens da BR-381 na zona rural do município, mas não causou mortes. Apenas o motorista sofreu ferimentos nas mãos ao tentar, sem sucesso, apagar o fogo, mas não teve sucesso.

Política.

Assim como acontece em São Paulo, quando é acompanhada em eventos oficiais pelo ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha, provável candidato do PT ao governo paulista, Dilma tinha entre os convidados para a cerimônia de hoje o ex-ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior Fernando Pimentel. Ele deve ser o nome do partido ao governo mineiro e teve seu nome gritado várias vezes durante o evento.