Em julgamento, Cachoeira usa depoimento para declarar amor à mulher

Contraventor disse que debateria com o MPF e foi orientado a permanecer em silêncio pelas falhas processuais

Alana Rizzo, de O Estado de S. Paulo - atualizada às 20h34

25 Julho 2012 | 17h13

No segundo dia de audiência do Caso Cachoeira, Carlos Augusto Ramos se recusou a responder as perguntas do juiz Alderico dos Santos. O contraventor disse que "gostaria de fazer um bom debate com o Ministério Público Federal", mas que diante das falhas processuais foi orientado a permanecer em silêncio.     A sessão foi encerrada no final da tarde desta quarta-feira, 25. Santos concedeu prazo de três dias para que a defesa apresente os pedidos de diligência e mais 10 dias para as alegações finais. Ele não se manifestou sobre a manutenção da prisão de Cachoeira, que foi levado para o présídio da Papuda, em Brasília. A defesa vai entrar com um novo pedido de habeas corpus. A expectativa é que o julgamento dure 30 dias. O MPF pediu condenações superiores a 20 anos de prisão.    Durante o seu depoimento, Cachoeira usou o tempo de defesa para fazer declarações de amor a Andressa Mendonça, que acompanhava o depoimento na primeira fileira. "Ela me deu a vida. Te amo." Questionado sobre seu estado civil, ele disse que se casaria com Andressa assim que o MPF o liberasse. "Estou sofrendo demais porque virei um leproso jurídico", disse, em referência às decisões judiciais.

Cachoeira foi o quarto réu da Operação Monte Carlo a depor nesta quarta-feira, 25. Idalberto Matias de Araujo, o Dadá, apontado como araponga de Cachoeira, falou em seguida. Todos negaram as acusações. As audiências de instrução do processo dos oito réus da Monte Carlo foram encerradas na terça-feira, 24, na Justiça Federal de Goiás 

O juiz federal Alderico Santos, responsável pela instrução do processo, abriu o segundo dia de audiência pedindo celeridade. "Quem atrasa julgamento só favorece a imprensa", disse o magistrado.

Primeiro a depor nesta quarta, o agente da Polícia Federal, Renato Peixoto, destacou que não produziu qualquer relatório de encontros fortuitos. A defesa dos réus tenta anular as escutas telefônicas obtidas pela PF na operação Monte Carlo. Peixoto começou a trabalhar na operação Monte Carlo em marco de 2011 e era responsável por monitorar Cachoeira e Gleyb Ferreira.

Choro. Ferreira chorou ao falar da prisão. Homem de confiança de Cachoeira no esquema, segundo a denúncia do MP, ele alegou que foi preso injustamente. Ele se disse humilhado por conviver com marginais, estupradores e traficantes na cadeia. "Só entendo que não há justiça dentro da justiça." O desabafo de Gleyb levou sua mulher a cair no choro. Ela foi consolada pelas esposas dos demais réus.

Lenine Aráujo insistiu que as provas obtidas pela PF são ilegais. Primo de Cachoeira e empresário até 2007 de jogos legais, Araújo não quis responder se tinha um aparelho Nextel habilitado nos EUA. "Sou católico fervoroso, frequentador do terço dos homens e colaborador de uma creche que alimenta mais de 200 crianças", defendeu-se.

O ex-vereador de Goiânia Wladimir Garcêz também afirmou que foi preso injustamente e que não tem rádio habilitado nos Estados Unidos. Segundo ele, o aparelho apreendido pelo PF está registrado em nome de sua mulher e foi comprado no Brasil. Ele completou dizendo que o " Wladimir" citado em alguns trechos da operacao é outra pessoa. A defesa do ex-vereador vai pedir esclarecimentos dos fatos.

Na terça-feira, primeiro dia de julgamento, apenas duas das 14 testemunhas arroladas foram ouvidas. O julgamento acontece na Justiça Federal de Goiás e está no segundo dia de audiência. Cachoeira, é acusado de chefiar uma organização criminosa envolvida na exploração de jogos ilegais.

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