Em ´Inverno Quente´, sem-terra invadem 15ª fazenda

Diversos movimentos rurais fazem ação unificada liderados por José Rainha, do MST

Agencia Estado

25 Junho 2007 | 15h55

Dando seqüência ao "Inverno Quente" do líder José Rainha Júnior, o Movimento dos trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) e o Movimento dos Agricultores Sem-Terra (Mast) fizeram na madrugada desta segunda-feira, 25, a primeira invasão conjunta. O alvo foi a fazenda Estrela do Laranja Doce, de 4 mil hectares, em Martinópolis, no Pontal do Paranapanema, invadida por 130 militantes. As duas bandeiras estão hasteadas no local. É a 15ª área invadida na nova ofensiva do Rainha. Numa ação batizada de Operação São João, em homenagem ao santo do dia, José Rainha invadiu no domingo 12 fazendas no oeste do Estado de São Paulo. A nova ofensiva tem como alvo o projeto de lei do governador José Serra (PSDB) que propõe a regularização fundiária de propriedades com mais de 500 hectares na região. Os sem-terra também querem mais rapidez da Justiça na desapropriação de terras para a reforma agrária. Com o apoio de sindicatos rurais, que reivindicam melhorias nas condições de trabalho, foram ocupadas 10 áreas no Pontal do Paranapanema, uma na Alta Paulista e outra na região de Assis. Durante a invasão da Chácara Alcinda, em Assis, houve confronto com a Polícia Militar e, segundo o MST, três sem-terra ficaram feridos. Dois líderes foram levados à delegacia de polícia e liberados em seguida, após prestarem depoimentos. As ações, distribuídas por nove municípios, mobilizaram 910 pessoas. Na quinta-feira, outros 340 sem-terra já haviam invadido duas fazendas. A coordenação estadual do MST não reconhece as ações de Rainha, por considerar que ele age por conta própria. Mas o líder dos sem-terra promete levar adiante as ocupações do chamado "inverno quente" e garante que segue as diretrizes do MST, definidas no recente congresso da organização. Além de sindicatos rurais filiados à CUT, Rainha conta com a adesão do Movimento dos Agricultores Sem-Terra (Mast), Movimento Terra Brasil (MTB) e Unidos na Luta pela Terra (Uniterra). "Com a unificação, os movimentos ganham força para fazer a reforma agrária acontecer", disse Rainha. Ameaçado de prisão, o líder dos sem-terra não participou das invasões. Ficou na retaguarda, nos acampamentos. Reforma da lei O governador José Serra disse que é impossível fazer a reforma agrária como determina a lei. "A reforma agrária bem-feita envolve um componente econômico insuportável. Desapropriação, crédito para o agricultor, educação, habitação, estradas e assistência técnica. É impossível pelo custo", afirmou Serra. Há dez dias o governo paulista anunciou um novo projeto para regularizar a posse de terras devolutas no Pontal. Serra prometeu R$ 159,2 milhões em investimentos em várias frentes para os 32 municípios da região. A intenção é corrigir proposta lançada na gestão de seu antecessor, Geraldo Alckmin (PSDB), que resolveu a questão fundiária das pequenas propriedades, mas fracassou nas tentativas de regularização de áreas com mais de 500 hectares. O novo projeto deve permitir a regularização de 200 fazendas com área total de 300 mil hectares, que são objeto de disputa, por problemas de regularização fundiária. A promessa do governo é desburocratizar o processo, permitindo que os proprietários rurais entreguem ao Estado parte da terra ocupada - ou de outras áreas - como compensação pela regularização. Pedido de prisão O presidente da União Democrática Ruralista (UDR), Luiz Antonio Nabhan Garcia, promete entrar nesta segunda com uma representação no Ministério Público Estadual pedindo a prisão de José Rainha. No pedido, acusará Rainha de apologia ao crime. "Invasão é crime e, como ele cumpriu a ameaça, estamos pedindo a suspensão do benefício que permite sua liberdade", afirmou. Outras lideranças também serão responsabilizadas, segundo Nabhan. Rainha tem condenações que somam 18 anos de prisão por porte ilegal de armas, formação de quadrilha, entre outros crimes. O líder está em liberdade graças a um benefício jurídico.

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