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Em evento da Presidência, Padilha defende Petrobrás e ataca PSDB

Ricardo Brandt e Gustavo Porto - O Estado de S. Paulo

25 Março 2014 | 17h 40

A jornalistas, o pré-candidato ao governo de São Paulo disse que não pegou carona no avião presidencial, no deslocamento entre São José dos Campos e Bauru

São José dos Campos e Bauru - A presidente Dilma Rousseff adotou um discurso populista e evitou falar sobre economia e os escândalos envolvendo do governo durante visita a duas cidades paulistas nesta terça-feira, 25, para entregar casas do programa Minha Casa Minha Vida. Quem saiu em defesa do governo foi o ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha, pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, que pegou carona na agenda da presidente e falou sobre o rebaixamento o País pela Standard & Poor's (S&P) e sobre o caso Petrobrás.

Questionado sobre a estratégia dos partidos de oposição de criticarem a capacidade de gestão da presidente, usando o episódio da compra da refinaria de Pasadena, Padilha afirmou: "Toda vez que a oposição tentou fazer algo como isso, ao invés de construir propostas para o Brasil, perdeu. Se tentarem vão ser derrotados mais uma vez".

Sobre o rebaixamento da classificação do Brasil pelo S&P, Padilha adotou a mesma estratégia de discurso da presidente em outros momentos. "Quem apostar contra a solidez da economia do Brasil vai perder."

Sem dar entrevista aos jornalistas e um discurso enaltecendo as ações populares de seu governo, Dilma entregou 944 apartamentos do Minha Casa Minha Vida, em Bauru, e focou sua fala no tema habitação.

"Muitas vezes, o que se pensava é que o Estado, o governo federal, não precisavam fazer nada, porque o mercado imobiliário iria resolver o problema. O mercado não iria resolver isso de jeito nenhum, pois não fecha a equação. Como alguém pode comprar uma casa com renda de dois salários?", disse Dilma, ao criticar a falta de investimentos no setor dos antigos governos.

Segundo ela, seu governo coloca "os interesses das pessoas em primeiro lugar; de todas as pessoas, em especial as que mais precisam". Com investimento de R$ 600 milhões nas obras, a presidente disse que o Brasil não tinha política habitacional que pudesse garantir casa para quem mais precisasse, ou seja, "para pessoas que ganhassem até R$ 1.600".

A presidente citou ainda que o dinheiro investido pelo governo no programa Minha Casa, Minha Vida vem dos impostos pagos pela população.

"Entrem nos apartamentos de cabeça erguida, o apartamento é de vocês. Vocês não devem nada a ninguém, são cidadãos brasileiros, e o governo brasileiro tem o compromisso com as pessoas e é obrigado a dar habitação."

Defesa. Acompanhando Dilma nos dois eventos em São Paulo, com direito a cadeira nos palanques e "um cumprimento muito especial" da presidente ao citar as ações de governo na área de Saúde, Padilha deu entrevista aos jornalistas após a saída da presidente em seu último compromisso.

Questionado sobre sua presença nos dois eventos, Padilha afirmou que sempre que for convidado pela presidente participará de suas agendas. "Também tem a ver com a caravana para ver as experiências positivas do governo federal e dos municipais", conclui.

Como pré-candidato, ele virou o coordenador de uma caravana que percorre o Estado para discutir propostas para o plano de governo do PT. Padilha afirmou que não viajou no avião presidencial no deslocamento entre São José dos Campos, onde a presidente entregou 1.461 apartamentos para as famílias da comunidade de Pinheirinho, e Bauru.

O pré-candidato do PT ao governo paulista voltou a atacar o modo de condução da crise hídrica, apontando falta de investimentos e de transparência e sugeriu uma rediscussão do papel da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo).

"Em São Paulo temos que discutir o papel da Sabesp, que lucrou quase R$ 2 bilhões em 2012. Esse dinheiro poderia ter sido investido em obras. E estamos precisando de obras para pegar os recursos dos rios e levar para as casas das pessoas", disse Padilha.

E voltou a atacar a falta de transparência do governo. "Existe um falta de ação do governo do Estado. Ele não enfrentou os problemas da oferta de água, sobretudo para as regiões metropolitanas", disse. "Falta sinceridade e franqueza por parte do governo do Estado na condução da atual crise. Os cortes estão acontecendo", concluiu ao citar o caso de Guarulhos, onde houve redução do fornecimento de água por parte da Sabesp. / COLABOROU ELISABETH LOPES