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Em discurso, Dilma critica justificativa de Moro e da Lava Jato para condução coercitiva de Lula

- Atualizado: 08 Março 2016 | 07h 27

Presidente contesta alegação de 'medida de segurança' para colher depoimento do ex-presidente e diz que ação 'não tem o menor sentido'

Caxias do Sul - A presidente Dilma Rousseff afirmou nesta segunda-feira, 7, que “não é possível aceitar” a condução coercitiva à qual o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi submetido na sexta-feira passada – mandado cumprido pela Polícia Federal a pedido da força-tarefa da Operação Lava Jato, após autorização do juiz federal Sérgio Moro. “Ele nunca se julgou melhor que ninguém, justiça seja feita”, disse ela. “Não tem sentido conduzi-lo sob vara”.

Dilma Rousseff durante cerimônia de entrega de 320 unidades habitacionais em Caxias do Sul/RS

Dilma Rousseff durante cerimônia de entrega de 320 unidades habitacionais em Caxias do Sul/RS

Dilma criticou o argumento da Justiça Federal de que a medida foi para proteger o petista. “Ninguém perguntou se ele queria ser protegido. Tem certos tipos de proteção que são muito estranhos”, ironizou, atribuindo a crise política pela qual passa o Brasil a uma “oposição inconformada, que quer antecipar as eleições de 2018”.

O gesto de apoio ocorre no momento de maior distensão entre a presidente e o PT. Dilma não compareceu ao aniversário de 36 anos do partido comemorado no último dia 27.

Sob aplausos e gritos de “não vai ter golpe”, a presidente discursou na cerimônia de inauguração de empreendimento do programa Minha Casa Minha Vida, em Caxias do Sul. 

Dilma chegou de helicóptero, visitou as moradias, participou da solenidade (fez entrega simbólica das chaves a uma das famílias beneficiadas) e voou de volta para Brasília, cumprindo agenda de menos de duas horas no Sul. Após a cerimônia, simpatizantes da presidente arrancaram cartazes de “Fora, Dilma” que estavam espalhados pelos postes das redondezas.

Sem corte. Em sua fala, a presidente afirmou que o Minha Casa Minha Vida é uma prioridade do governo, mesmo em meio à crise econômica, que definiu como um “momento de dificuldades”. Comparou os ajustes fiscais com medidas de economia caseiras: “Na casa da gente, sempre que cai um pouco a receita, a gente precisa olhar e ver o que quer preservar. O governo está teimando e mantendo esse programa habitacional”, disse. “Não é um programa pequenininho, não. Não vou falar que é o maior do mundo porque não tenho certeza, mas que é o maior da América Latina eu posso assegurar”, pontuou.

Ainda sobre a crise política, Dilma afirmou que a oposição ainda não aceitou o resultado das eleições de 2014. “Eles têm absoluto direito de reagir, mas não podem ficar dividindo o País”, afirmou a presidente, sugerindo que seus adversários políticos “governariam apenas para uma parte”. O governo petista, segundo ela, “quer a unidade dos brasileiros”.

Sobre a condução coercitiva de Lula para depor no Aeroporto de Congonhas, Dilma declarou que o ex-presidente “jamais se recusou a depor”, mas pediu que as pessoas “não demonizassem” políticos ou órgãos de imprensa, apesar de ter criticado o vazamento de informações. “Depois que se prova que não são verdadeiras, o estrago de jogar lama nos outros já ocorreu”, reclamou. A presidente é alvo de conteúdo de acordo de delação do ex-líder de governo Delcídio Amaral (PT-MS) em tramitação na Procuradoria-Geral da República. O senador afirmou, segundo a revista IstoÉ, que a presidente tentou obstruir três vezes as investigações da Lava Jato. 

Insatisfeito com a ausência da presidente na Festa da Uva, que se encerrou no domingo, o prefeito de Caxias, Alceu Barbosa Velho (PDT), deu uma “bronca” em Dilma, solicitando mais verba federal para o município. Quando disse que “a presidente não encontraria pacientes acumulados pelos corredores dos hospitais da cidade”, o pedetista foi vaiado. 

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