Em defesa de Lula, Padilha diz que Judiciário é quem tem que se explicar

Para ex-ministro da Saúde, Poder tenta politizar processo contra ex-presidente, que depõe nesta quarta em Curitiba

Ricardo Galhardo, enviado especial, O Estado de S.Paulo

13 Setembro 2017 | 11h59

CURITIBA - O ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha, vice-presidente do PT, disse nesta quarta-feira, 13, em entrevista coletiva na sede do PT do Paraná, que o momento político do segundo depoimento de Lula ao juiz Sérgio Moro ocorre em um momento diferente do primeiro, realizado no dia 11 de maio, por dois motivos. Em primeiro lugar porque o PT agora tem uma agenda ofensiva iniciada pela caravana do ex-presidente pela região Nordeste. "Além disso, hoje quem tem que se explicar é o Judiciário. Moro teve que explicar sobre recursos de um advogado para o escritório da mulher dele (O advogado Rodrigo Tacla Duran acusa um advogado trabalhista, padrinho de casamento de Moro, de intermediar negociações com a força-tarefa em benefício de Duran, segundo o jornal Folha de S.Paulo). O Ministério Público Federal em Brasília teve que se explicar sobre o mau uso do instrumento da delação premiada e outros partidos estão tendo que se explicar sobre malas de dinheiro", disse Padilha.

Segundo ele, o Judiciário tem tentado politizar o processo contra Lula e, se for o caso, o PT vai responder na mesma moeda. "Quem conduz o depoimento é o magistrado. Se ele continuar fazendo palco político, se tentar politizar, vamos politizar também", afirmou o ex-ministro.

Padilha minimizou o teor do depoimento do ex-ministro Antonio Palocci, que disse à Justiça que Lula tinha um "pacto de sangue" cm a Odebrecht. "Se alguém pensou que Palocci tinha a bala de prata, ele tinha só uma bala de festim", disse Padilha. Ele se esquivou de comentar a possível expulsão de Palocci do PT. Na semana passada o diretório municipal do PT de Ribeirão Preto, onde o ex-ministro é filiado, negou pedido de punição. De acordo com Padilha, a direção nacional vai respeitar as decisões das instâncias partidárias.

Durante a coletiva, o secretário nacional de Comunicação da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Roni Barbosa, culpou a Lava Jato pelas demissões de milhares de trabalhadores de setores ligados à Petrobrás. "Na CUT, a gente tem estudado isso. A cada preso da Lava Jato nós temos 22 mil desempregados no Brasil. Todo um setor da construção civil pesada foi desmontado por uma operação que não para nunca. Quem está pagando a conta somos nós trabalhadores", disse Barbosa.

Segundo auxiliares de Lula, o ex-presidente deve chegar à Justiça do Federal por volta das 13h30. No curto trajeto entre o carro e a entrada do prédio ele será "escoltado" por dezenas de militantes de movimentos sociais ligados ao PT que já estão no local aguardando a chegada do ex-presidente.

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