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Em decisão unânime, PSB paulista aprova apoio a Alckmin

Ana Fernades - Agência Estado

06 Junho 2014 | 14h 34

Partido de Campos vai se aliar à candidatura tucana em São Paulo, apesar da resistência de integrantes ligados a Marina Silva, que defendia candidatura própria no Estado

São Paulo - O diretório paulista do PSB aprovou no início da tarde desta sexta-feira, 6, por unanimidade um indicativo de apoio à pré-candidatura de Geraldo Alckmin (PSDB) ao governo de São Paulo, que tentará a reeleição.

A decisão do diretório ignora acordo feito entre Marina e o pré-candidato do PSB à Presidência, Eduardo Campos, para que a sigla lançasse candidatos próprios nos maiores colégios eleitorais do País. Representantes da ala 'marineira' decidiram comparecer ao encontro desta sexta. "Pode ninguém nos ouvir, mas não podemos deixar de manifestar nossa posição", disse o deputado Walter Feldman.

No encontro, além do presidente estadual do partido, Márcio França, e do prefeito de Campinas, Jonas Donizette, principais articuladores para essa coligação no Estado, discursaram a favor do indicativo os prefeitos Valdomiro Lopes (São José do Rio Preto) e Paulo Hadich (Limeira), a deputada federal Keiko Ota e os deputados estaduais Ed Thomas, Adilson Rossi, Marco Aurélio Ubiali e Carlos Cezar, este líder do PSB na Assembleia Legislativa, além do vereador da capital Eliseu Gabriel. O apoio do prefeito de Marília, Vinicius Camarinha, foi enviado por fax, já que ele realiza hoje a entrega de uniformes escolares na cidade e não pôde estar presente.

No início da reunião, Márcio França defendeu a aliança e argumentou que o PSB estaria sozinho na campanha se decidisse lançar candidato próprio, pois os outros partidos da coligação nacional não estariam juntos nesse projeto paulista. PPL, PRP e PHS terão candidatos e o PPS apoiará Alckmin, disse França. Além disso, apontou que a Rede, partido de Marina, defende nomes novos, descartando a possibilidade de ele próprio ser o nome do PSB para disputar Palácio dos Bandeirantes. "É claro que eu não sou novidade, sou político", afirmou França.

As falas das lideranças do PSB mostraram uma posição coesa do partido em São Paulo em favor do apoio ao tucano e demonstraram confiança na indicação de França para ser vice na chapa de Alckmin. Houve diversas outras menções ao nome do presidente estadual do PSB para vice, todas ovacionadas.

Com a condenação do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, nesta semana, por improbidade administrativa, os pessebistas avaliam que sua figura está enfraquecida, abrindo espaço para Márcio França.

'Marineiros'. As vozes dissonantes foram minoria na reunião. A principal delas foi a de Walter Feldman, representando a Rede de Marina Silva. Para ele, a união com o PSDB em São Paulo contradiz o discurso defendido nacionalmente em favor da mudança e da renovação política. "Eu vivi dentro do próprio governo. Há um esgotamento", disse Feldman, que já foi filiado ao PSDB. "A polarização não é boa nem para esses dois partidos que se encastelaram dentro da estrutura de poder", disse criticando a divisão política tradicional entre PT e PSDB. O deputado deixou a reunião antes da formalização da decisão por motivos familiares.

Feldman lembrou a iniciativa "programática" encabeçada pelo presidenciável Eduardo Campos e por Marina. "Por que nós, em São Paulo, não poderíamos ser esse vento de mudança?", questionou. Feldman admitiu ser minoria dentro do PSB de São Paulo. "Desejo, neste último instante, tentar uma virada dessa decisão (de apoio a Alckmin). Essa nossa posição é muito sincera, transparente, política e não é pessoal. Podemos ser a via que está sendo buscada."

Durante a fala de Feldman, França o interrompeu para dizer que o PSB recebeu por duas vezes uma lista com indicações de nomes para candidatura própria no Estado. Segundo França, em nenhuma delas seu nome estava listado pela Rede. Na primeira, havia seis nomes de integrantes da Rede e na segunda, estavam o ambientalista João Paulo Capobianco e o historiador Celio Turino. Feldman reconheceu essas listagens, mas ressaltou que a Rede nunca vetou formalmente o nome de França para a disputa.

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