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Haddad cobra R$ 400 milhões do Planalto

Prefeito de São Paulo pede a ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, o repasse de valores investidos pelo município em obras do PAC

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Isadora Peron, Carla Araújo e Ricardo Galhardo,
O Estado de S.Paulo

05 Janeiro 2016 | 17h52

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), cobrou ontem do governo federal, em Brasília, o reembolso de R$ 400 milhões que, segundo ele, foram investidos pelo município em obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). Neste ano eleitoral, o petista, que é provável candidato à reeleição, tenta alavancar recursos que permitam à administração cumprir parte das promessas assumidas na campanha de 2012 e que ainda não saíram do papel. 

Em um encontro com o ministro-chefe da Casa Civil, Jaques Wagner, Haddad também pediu que o governo construa mais unidades do Minha Casa Minha Vida na capital e dê prioridade à renegociação da dívida da cidade de São Paulo.

A cobrança pública feita pelo prefeito escancara o que ele tem reclamado reservadamente: o pouco apoio da gestão da presidente Dilma Rousseff à sua administração. 

O prefeito também espera ajuda do Palácio do Planalto para tirar do papel uma das suas principais promessas, a de construir hospitais em regiões carentes da metrópole. Das três unidades, apenas a de Parelheiros deve ser entregue este ano e, até agora, o hospital está sendo financiado apenas com verbas municipais. A construção dos centros de saúde sempre foi uma aposta de Haddad para ter uma vitrine durante a campanha à reeleição.

Segundo auxiliares de Haddad, o prefeito saiu do Planalto confiante após conversa com o ministro da Casa Civil, braço direito da presidente Dilma Rousseff. “Este ano é o ano dos prefeitos. Ele (Jaques Wagner) falou que vai responder com a maior brevidade possível”, disse.

De acordo com fontes do Planalto, o ministro evitou se comprometer com a liberação dos recursos cobrados por Haddad, mas prometeu encaminhar os pleitos do prefeito de São Paulo diretamente à presidente Dilma e ao ministro da Fazenda, Nelson Barbosa. “A palavra final é da presidente”, teria dito o ministro.

Durante a reunião, que foi acompanhada por um técnico da Casa Civil, o prefeito exibiu dezenas de documentos mostrando com pormenores os recursos desembolsados pelo Município em obras do PAC, sempre sublinhando os prazos de vencimento dos repasses da União.

Segundo um interlocutor de Wagner, o ministro teria comentado que “é difícil dizer não” diante da riqueza técnica dos pleitos de Haddad mas as demandas feitas pelo prefeito são de difícil execução não só pela falta de dinheiro nos cofres da União, mas também porque poderia abrir um precedente para que outros prefeitos de capitais fizessem uma “romaria” na porta do Palácio do Planalto em busca de ajuda.

Pleitos. Entre as demandas apresentadas por Haddad, está o reembolso por parte do governo federal de cerca de R$ 400 milhões que a prefeitura desembolsou em 2015 para tirar do papel obras do PAC. “No nosso PAC a gente adianta para a construtora os valores com recursos do Tesouro municipal e há o reembolso do Tesouro nacional”, explicou o prefeito.

Haddad também pediu que o governo dê prioridade à situação de São Paulo após a assinatura do decreto que regulamenta a aplicação do novo indexador das dívidas de Estados e municípios com a União. 

“Apesar de São Paulo e Rio serem as cidades mais beneficiadas, o fato é que muitos municípios vão acabar tendo um alívio em função dos juros que eram pagos e que foram revistos a partir da troca do indexador”, afirmou o prefeito.

Haddad disse que também discutiu com o ministro sobre o programa Minha Casa Minha Vida e afirmou que a prefeitura já investiu cerca de R$ 700 milhões em desapropriação de terras. O espaço seria suficiente para a construção de 20 mil moradias, mas, com as mudanças das regras para o programa, será preciso refazer os planos para a cidade.

Apesar das dificuldades por conta da crise econômica, Haddad fez questão de afirmar que a prefeitura conseguiu investir mais em 2015 do que em 2014 e que pretende fechar os quatro anos do seu mandato com um “recorde” de investimentos, que poderá chegar à casa dos R$ 18 bilhões.

“A crise obviamente penaliza todo mundo, mas não podemos desmobilizar em função dela. Nós temos que trabalhar mais, porque aí o resultado vem”, disse ele.

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