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Em abril de 1980, líder sindical foi preso por incitar greve

Lula ficou 31 dias preso e foi enquadrado na Lei de Segurança Nacional; no cárcere, ficou sem comer por dois dias

Liz Batista e Edmundo Leite, O Estado de S.Paulo

08 Abril 2018 | 05h00

Lula foi preso dois dias depois de ser destituído do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema, que desde 1.º de abril liderava uma greve com forte adesão nas fábricas. Ao chegar à sede do Dops no centro de São Paulo, foi informado que estava enquadrado na Lei de Segurança Nacional, artigo 36, incisos 2, 3 e 4, acusado de incitar a greve. 

Os sete primeiros dias foram em regime de incomunicabilidade, até que Lula pudesse receber visitas e se encontrar com seu advogado, Luís Eduardo Greenhalgh. No quarto dia de prisão, Lula prestou depoimento por quatro horas e meia. 

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Com a proximidade do Dia do Trabalho, 1.º de maio, os trabalhadores começam a preparar manifestações em apoio à greve e a Lula. No dia seguinte, o habeas corpus de Lula e outros cinco metalúrgicos é levado ao plenário do Superior Tribunal Militar, mas indeferido por unanimidade. O juiz-auditor Nélson da Silva Machado Guimarães condiciona a libertação de Lula ao fim da greve. O movimento grevista divulga mensagem em que Lula diz que “se quiserem negociar nossa liberdade com o retorno dos companheiros de cabeça baixa para dentro das fábricas, nós vamos mofar aqui dentro da cadeia”.

No dia seguinte, Lula e os colegas iniciam greve de fome reivindicando a retomada das negociações. A greve de fome dura dois dias. No mesmo dia é encerrada a greve no ABC. 

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No 24.º dia de prisão, Lula receberia a notícia da morte de sua mãe, Eurídice Ferreira de Melo, a Dona Lindu. É concedida liberdade temporária para que ele possa ir ao velório e enterro da mãe. Cerca de duas mil pessoas vão ao cemitério prestar homenagem com gritos de “queremos Lula livre”.

Em 14 de maio, Leonel Brizola tenta visitar Lula, sem sucesso. No dia 20, Lula e outros 11 dirigentes sindicais são libertados. A jornalistas, Lula disse que se tivesse que ser condenado por causa da luta em favor de melhores condições para os trabalhadores seria um “condenado contente”. Quando questionado sobre seus planos para o futuro, o sindicalista declarou: “Não tenho projeto para o futuro. Meu destino está ligado à minha categoria profissional”.

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