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Política

PMDB

Eleição de líder do PMDB deve afetar destino de Cunha

Presidente da Câmara tem se empenhado pessoalmente na disputa pelo comando da bancada de 67 deputados, a maior na Câmara

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Daniel Carvalho,
O Estado de S.Paulo

14 Fevereiro 2016 | 21h57

BRASÍLIA - Maior bancada da Câmara, o PMDB elege seu novo líder nesta quarta-feira. Mais do que o poder de influenciar decisões no Congresso, a escolha deverá ter impacto na definição do futuro da presidente Dilma Rousseff e do presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). No governo, a expectativa é que o novo comandante peemedebista ajude a enterrar de vez o processo de impeachment da presidente, que deve ter seguimento após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).

Os dois nomes que buscam comandar a bancada de 67 deputados são “crias” de Eduardo Cunha, mas hoje atuam em campos opostos. Leonardo Picciani (RJ), atual líder que tenta a recondução, tem a preferência do Palácio do Planalto. Já Hugo Motta (PB) tem a bênção do presidente da Câmara, desafeto do governo, que se empenhou na missão de eleger seu afilhado. Líderes partidários, nos bastidores, avaliam que o vencedor da eleição interna indicará quem – Dilma ou Cunha – começa o ano mais forte.

No governo, a avaliação é de que uma vitória de Picciani representará a maior derrota do presidente da Câmara, que enfrenta pedido de cassação do mandato no Conselho de Ética, devido a seu afinco para dar impulso a Motta. Um interlocutor do Planalto diz acreditar que, caso o candidato de Cunha seja derrotado, fica mais forte a tese de afastamento do presidente da Câmara – o STF deve analisar no próximo mês pedido do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, de que o peemedebista deixe o comando da Casa.

Avaliação semelhante se faz entre os parlamentares. “Se Picciani sacramenta essa vitória, atesta que ele (Cunha) não tem essa força toda”, analisa o líder do PR na Câmara, Maurício Quintella Lessa (AL).

Composição. A expectativa do governo, principalmente, em relação à decisão da bancada, é sobre a indicação de nomes contrários ao impeachment na Comissão Especial criada na Câmara para analisar o tema, uma prerrogativa do novo líder. Apesar de mais afinado com Picciani, para o Planalto, uma vitória de Hugo Motta não seria o pior dos cenários, pois governistas acreditam ser possível compor com o ele. O deputado diz ser pessoalmente contrário ao impeachment, mas que colocará o tema em discussão na bancada após ser eventualmente eleito. “Hugo, se fosse o vencedor da disputa, procuraria reunificar o PMDB. Não acho que ele levantaria nenhum estandarte pró-impeachment”, avalia Lessa.

Recém-conduzido à liderança na Câmara, o novo líder do PT, Afonso Florence (BA), diz que seu partido não tem preferência entre os candidatos, mas ressalta que o PMDB tem um “compromisso assumido” com o governo. “Seja quem for o líder, temos obrigação de dialogar com a bancada”, diz.

Na oposição, a leitura é de que, vencendo, Picciani atuará como líder de governo diante de sua bancada. Já a vitória de Motta significaria um fortalecimento de Cunha, embora temporário.

Eduardo Cunha tem minimizado o impacto do resultado da eleição no PMDB. Ele tem dito a interlocutores que o processo do impeachment não será afetado pela escolha do líder e que é “bobagem” entenderem uma vitória de Picciani como seu enfraquecimento ou o inverso, caso Motta seja escolhido.

Por enquanto, os dois lados cantam vitória. Aliados de Picciani propagavam que seu candidato tem o apoio de 45 deputados e os de Motta diziam que ele tem 39. / COLABOROU DAIENE CARDOSO

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