Eduardo Suplicy é hostilizado por manifestantes em SP

Chamado de 'vergonha nacional', secretário disse ser a primeira vez que foi alvo de protestos em mais de 30 anos de vida pública  

Valmar Hupsel Filho , O Estado de S. Paulo

26 Outubro 2015 | 10h32

São Paulo - O secretário de municipal de Direitos Humanos e Cidadania de São Paulo, Eduardo Suplicy, foi hostilizado por manifestantes anti-PT neste sábado, 24. Ao sair da livraria Cultura, após entrevista que o prefeito Fernando Haddad concedeu a uma rádio, o ex-senador petista ouviu gritos de “Suplicy, vergonha nacional” de um grupo que tinha nas mãos bonecos infláveis que satirizam o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidente Dilma Rousseff.

Suplicy conta que foi a primeira vez, em seus mais de 30 anos de vida pública, que foi hostilizado por manifestantes. “Tenho convicção de que, por onde vou em São Paulo e no Brasil, as pessoas sempre me tratam com respeito”, disse.

Ele conta o mesmo grupo, de cerca de 15 pessoas, já protestava durante a entrevista no teatro da livraria. “Desde o começo, este mesmo grupo procurou perturbar e ofender”, disse. O manifesto continuou na saída da livraria. Segundo o secretário, até uma cadeirante que assistia a entrevista foi hostilizada pelos manifestantes com gritos de “vai para Cuba”.

“Quando saí, um rapaz me perguntou o que deveria ser feito para acabar a influência do poder econômico nas eleições. Eu comecei a respondê-lo quando algumas pessoas começaram a gritar que eu era a vergonha nacional. Dei dois passos e disse incisivamente que aquilo era um absurdo”, disse.

Autor da lei que institui indistintamente uma renda mínima para todos os cidadãos brasileiros, Suplicy citou como exemplo de sua postura na atividade política o fato de doar, voluntariamente, seus vencimentos como secretário municipal para o Fundo Brasil de Cidadania, ainda que a lei não o obrigue a fazer isso. “O saldo já passa dos R$ 100 mil”, disse.

Suplicy disse que, após participar, no domingo, 25, do ato inter-religioso para lembrar os 40 anos de morte do jornalista Vladimir Herzog pelas forças do regime militar, refletiu sobre o assunto. “Este tipo de manifestação é que pode levar a tragédias como as que aconteceram durante a ditadura”.

Em sua página no Facebook, o secretário afirmou que “as palavras de Ivo Herzog, filho do jornalista assassinado, o fizeram pensar naqueles que agem com tanta intolerância e se negam ao debate democrático, como os que assassinaram Vlado”.

“Aos que gritaram com ódio contra mim e o prefeito Fernando Haddad na Livraria Cultura estejam certos de que continuaremos a lutar pela liberdade de expressão, pela ética, pela transparência, pela busca da verdade, pela retidão no trato com a coisa pública,pela justiça e o aperfeiçoamento da democracia”, escreveu.

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