Ueslei Marcelino/Reuters
Ueslei Marcelino/Reuters

Eduardo Cunha se recusa novamente a comentar sobre contas na Suíça

"Não vou falar sobre isso", disse presidente da Câmara, nesta terça, após autoridades suíças confirmarem que ele foi informado sobre bloqueio de recursos dos quais é beneficiário

CARLA ARAÚJO E VALMAR HUPSEL FILHO , O ESTADO DE S.PAULO

06 Outubro 2015 | 12h10

BRASÍLIA - O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), se negou mais uma vez a comentar a suposta existência de contas na Suíça em seu nome ou tendo seu nome como beneficiário. Questionado pela segunda vez sobre o assunto nesta terça-feira, 6, quando chegou à Casa, o peemedebista encerrou a entrevista afirmando que não iria comentar. "Não vou falar sobre isso".

O Ministério Público da Suíça negou a versão de Cunha de que desconhece o teor das notícias veiculadas sobre suas contas no país europeu e garante que o parlamentar foi alertado sobre o congelamento de seu dinheiro.“Eduardo Cunha foi informado sobre o congelamento de seus ativos", declarou a Procuradoria-Geral da Suíça em um comunicado oficial ao Estado.

O primeiro contato sobre o ocorrido teria sido realizado pelo próprio banco, que tem o dever de informar ao cliente o que ocorre com suas contas e sua relação com a Justiça.

A investigação no país europeu foi aberta em abril. O MP suíço informou aos procuradores brasileiros que Cunha abriu empresas de fachada para esconder seu nome nos registros bancários na Suíça.

Na edição desta terça-feira, 6, reportagem do Estado revela que investigadores da Operação Lava Jato apuram se o presidente da Câmara mantinha outras contas no exterior além daquelas já identificadas e bloqueadas pelas autoridades suíças.

Em março, durante depoimento à CPI da Petrobrás, o presidente da Câmara negou que tivesse contas no exterior. "Não tenho qualquer tipo de conta em qualquer lugar que não seja a conta que está declarada no meu Imposto de Renda", disse ele na ocasião.

Transferência. Na semana passada, a Suíça comunicou ao Brasil que iria transferir os autos de uma investigação criminal que corre no país europeu sobre Cunha para que a Procuradoria-Geral da República brasileira dê prosseguimento. Recentemente, a equipe de procuradores que auxilia o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, nos acordos de cooperação internacional ligados ao esquema de corrupção na Petrobrás recebeu reforço para intensificar o trabalho de investigação no exterior.

O Ministério Público na Suíça, por enquanto, se recusa a informar qual banco mantinha as quatro contas relacionadas ao deputado. Mas garante que foi a própria entidade que se surpreendeu com as movimentações e decidiu informar as autoridades sobre suspeitas de lavagem de dinheiro. O caso é mantido em segredo na Procuradoria-Geral da República, em harmonia com as determinações suíças. Até o momento, procuradores aguardam a chegada do material completo das apurações para decidir o que fazer com os dados.

Cunha foi denunciado ao Supremo Tribunal Federal por corrupção e lavagem de dinheiro. Ele é acusado de receber propina de US$ 5 milhões em contratos de navios-sonda da Petrobrás. O peemedebista nega.

O procurador-geral da República pode abrir um novo inquérito para dar continuidade às investigações ou oferecer diretamente uma denúncia se a avaliação for de que o caso está avançado.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.