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Estratégias de comunicação do governo e do PT são diferentes, diz Edinho Silva

Em visita ao ex-presidente Lula em seu instituto em São Paulo, ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República afirma que Planalto precisa 'mostrar que está governando' e que partido tem 'outra estratégia'

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Ana Fernandes,
O Estado de S.Paulo

07 Março 2016 | 13h32

O ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, Edinho Silva, afirmou nesta segunda-feira, 7, que, após os eventos da semana passada, a estratégia de comunicação do governo é "mostrar que está governando" e que é uma preocupação diferente daquela do PT neste momento. "O governo tem uma estratégia, o partido tem outra estratégia", disse.

"O governo tem que continuar mostrando o que está fazendo, que está governando diante da crise política que estamos enfrentando. Mesmo diante de todas as dificuldades, o governo continua trabalhando, continua desempenhando seu papel. A presidenta está hoje anunciando Minha Casa, Minha Vida, esta semana teremos outros anúncios. É isso, o governo tem que continuar governando o País", disse a jornalistas ao deixar o Instituto Lula, em São Paulo.

A presidente Dilma Rousseff entregou nesta manhã unidades habitacionais do Minha Casa, Minha Vida em Caxias do Sul (RS). Em seu discurso,  critiou a condução coercitiva do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na sexta-feira, mandado cumprido pela Polícia Federal a pedido da força-tarefa da Operação Lava Jato após autorização do juiz federal Sérgio Moro. Para a petista, não havia o "menor sentido" na remoção do padrinho político de sua casa, em São Bernardo do Campo, para prestar depoimento em uma sala do Aeroporto de Congonhas preparada para este fim.

Edinho disse que veio a São Paulo apenas para manifestar sua "solidariedade pessoal" a Lula, depois de ter participado de manifestações favoráveis ao ex-presidente na capital paulista na semana passada. "Eu vim só dar um abraço nele. Ele está bem, animado, bem disposto", relatou. Edinho não soube informar se Lula ainda irá para Brasília nesta semana para encontrar a presidente.

Sobre a especulação de que militantes petistas teriam ficado chateados com a fala de Dilma em defesa de Lula na sexta-feira, 4, Edinho disse que a militância tem o direito de se manifestar. Alguns petistas teriam reclamado que Dilma usou a fala também para promover e defender o seu governo. "A militância está correta em se manifestar. Evidente que o papel da presidenta é um outro papel, mas, repito, a fala dela foi uma fala de balanço (do governo) e ela inicia a fala falando do presidente Lula", defendeu.

Edinho também rebateu as especulações de que o governo ou o próprio ex-ministro da Justiça Eduardo Cardozo poderiam estar por trás do vazamento das tratativas para a delação premiada do senador Delcídio Amaral. O interesse estaria em invalidar juridicamente a delação do senador por meio do vazamento. "Não acredito nisso, ao contrário, uma das pessoas mais atingidas com a matéria da IstoÉ foi o ministro Cardozo."

Na quinta-feira, 3, a revista publicou o conteúdo da negociação de delação de Delcídio. O senador citaria Lula e suposta articulação de Dilma para atrapalhar o andamento da Operação Lava Jato. Na sexta, a 24ª fase da operação foi deflagrada e Lula foi levado à força a depor.

Manifestação do dia 13. Edinho Silva minimizou o impulso que as manifestações pró-impeachment podem ganhar no domingo, 13, depois de a Lava Jato ter oficialmente chegado ao ex-presidente Lula. O ministro repetiu o mantra de que o Brasil é um país democrático e que todos têm direito à livre manifestação.

"Independentemente do tamanho da manifestação, a questão do impeachment é jurídica. Não há nenhum fato jurídico que tenha respaldo na Constituição que justifique o pedido de impeachment", afirmou.

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