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'É um alerta à sociedade', diz cientista político sobre o assassinato de Malhães

Lisandra Paraguassu - enviada especial - O Estado de S. Paulo

25 Abril 2014 | 16h 18

Para Paulo Sérgio Pinheiro o crime não vai afastar testemunhas da Comissão Nacional da Verdade, mas demonstra a necessidade de fornecer proteção a quem presta depoimento

Santiago (Chile) - O assassinato do coronel reformado do Exército Paulo Malhães foi classificado pelo cientista político Paulo Sérgio Pinheiro, um dos membros da Comissão Nacional da Verdade como um crime abominável e um alerta para a sociedade brasileira.

"Antes de qualquer investigação não podemos fazer qualquer afirmação sobre a autoria, mas se efetivamente se trata de uma retaliação pelo seu depoimento à Comissão da Verdade, é evidente que isso é um sinal de alerta para a sociedade de que ainda existem grupos no Brasil que recorrem à violência", afirmou ao Estado.

Paulo Sérgio, acompanhado de pesquisadores da CNV, está no Chile para iniciar a apuração sobre a colaboração entre as ditaduras militares brasileiras e chilenas. Em seu depoimento à Comissão, Malhães confirmou o envio de torturadores ao país logo depois do golpe de 1973 que levou Augusto Pinochet ao poder.

Paulo Sérgio destacou a necessidade de proteção a quem depõe à Comissão, não apenas as vítimas, mas quem testemunhar sobre os crimes cometidos pelo governo militar. "É absolutamente preocupante e a CNV vai refletir sobre isso", disse. No entanto, o professor não acredita que o assassinato de Malhães vá influenciar o trabalho da comissão ou afastar outras testemunhas. "A Comissão vai continuar trabalhando e quem tiver que testemunhar vai testemunhar", afirmou.

Malhães foi morto em seu sítio, na Baixada Fluminense, por três homens que invadiram a casa. As informações iniciais da polícia apontam para morte por sufocamento.