'É preciso fazer cortes para não quebrar', afirma Lula

Em evento no Piauí, petista reconheceu que a crise econômica atrapalha a gestão e defendeu medidas econômicas do governo

Luciano Coelho, especial para O Estado, O Estado de S. Paulo

21 Outubro 2015 | 19h18

Teresina - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que é preciso "brecar" gastos quando "perdemos a conta". "É preciso melhorar, sim, e é preciso fazer cortes para não quebrar", afirmou em discurso ao receber o título de cidadão piauiense e teresinense, nesta quarta-feira, na Assembleia Legislativa do Piauí.

Apesar de ter defendido, nos bastidores, a saída do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, principal defensor do ajuste fiscal, Lula reconheceu a importância de acertar as contas públicas. "Isso a gente faz na casa da gente. Gastou um pouco demais? Perdeu a conta? Tem que brecar. Ou a gente faz isso, ou quebra de vez", afirmou, sem dizer como e onde poderiam ser feitos os cortes.

O petista reconheceu que a crise econômica atrapalha a gestão e defendeu medidas econômicas. "Se não tomar providências, o País quebra", disse. Mas advertiu que o governo tem que ser melhor quando se tem menos dinheiro. "Precisa andar mais e fazer mais política", recomendou Lula. "Tem que ser melhor agora que em gestões anteriores. Eu sei que tem menos dinheiro, então temos que ser melhores agora. Temos que andar mais. Conviver mais com as pessoas. Fazer mais política".

Lula fez recomendações ao governador do Piauí, Wellington Dias (PT), para tentar superar a crise. "Você tem que ser melhor agora que em suas duas gestões anteriores, Wellington. Faça mais política e faça com a Dilma o que você fazia comigo. Esse foi o Índio (apelido de Wellington Dias) que mais levou dinheiro para o Estado dele. Você aprendeu a chorar, então vá atrás companheiro", disse o ex-presidente.

O ex-presidente voltou a mandar recado para que a presidente Dilma Rousseff viaje pelo País. Segundo o petista, não se governa de dentro de gabinete, sem falar cara a cara com o povo. 

O ex-presidente disse que falaria pouco, porque estava rouco, mas acabou discursando por meia hora em defesa do governo. "Este país está vivendo um momento inusitado. Um momento de ódio, em que as pessoas não precisam nem ser julgadas e as manchetes condenam antes de as pessoas saberem se tem processos. Muita gente fica nervosa e irritada e temos que nos perguntar o que está acontecendo", afirmou o ex-presidente. "Qual a culta tem o governo? Qual a culpa tem o PT? Alguém já comparou a crise brasileira com a crise da França? Com a crise da Itália? O Brasil não é uma ilha no meio do deserto, onde nada podia acontecer."

No discurso, Lula também voltou a recorrer à comparação com os adversários do PSDB. "Eles esquecem como nós pegamos o País. Eles esquecem que pobre não entrava em universidade. Eles se esquecem que em 12 anos fizemos 554. E eles em 100 anos fizeram 140", completou.

No discurso da Assembleia Legislativa, Lula disse que incomoda as elites e que alguns esqueceram o que o governo do PT trouxe avanços e fezprogramas sociais. "Eles esqueceram o que fizemos? Fizemos o Pronatec, Plano Nacional de Educação e abertura de escolas técnicas. É isso que incomoda", afirmou Lula.

Disputa. Alguns manifestantes do Vem Pra Rua foram com carro de som para a frente da Assembleia Legislativa, onde ocorria a solenidade de entrega dos títulos de cidadania. O PT também mandou um carro de som e os dois grupos começaram a entrar em atrito.

A confusão aumentou quando o Vem Pra Rua começou a inflar um boneco do ex-presidente Lula de mais de cinco metros, apelidado de Pixuleco. Os petistas ameaçaram furar o boneco inflável vestido de presidiário com o número 13-171 no peito.

Além do Pixuleco, foi exposto um certificado de cidadania no tamanho de cerca de 1,5 metro de altura com os seguintes dizeres: "O povo do Piauí, pelo decreto 171-666, concede o título de cidadão Vergonha Piauiense do Pixuleco, para receber propina e apoiar a corrupção". 

A coordenadora do movimento anti-PT, Adriana Sousa, afirmou que é uma vergonha a concessão de honrarias ao ex-presidente Lula, que é citado em escândalos de corrupção. "A democracia está comprometida. É uma vergonha conceder um título a uma pessoa tão corrupta como ele", disse a líder do Vem Pra Rua.

No bate-boca que chegou a virar pancadaria, a Polícia Militar teve que acionar o Comando de Gerenciamento de Crises, que abafou o tumulto e mandou desligar os dois carros de som que estavam no local. 

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