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‘É inadmissível’, diz Dilma sobre alteração de perfis de jornalistas

Carla Araújo e Ricardo Della Coletta - O Estado de S. Paulo

09 Agosto 2014 | 14h 12

Presidente pediu abertura de investigação sobre o caso, que vai envolver vários órgãos do governo, como Casa Civil e Instituto Nacional de Tecnologia da Informação

A presidente Dilma Rousseff afirmou neste sábado que pediu investigação sobre denúncias de que perfis de jornalistas na enciclopédia virtual Wikipédia foram alterados por meio de rede de computadores ligada ao Palácio do Planalto. “Isso é absolutamente inadmissível por parte do Planalto e do governo federal ou por parte de qualquer governo”, disse, ao chegar para caminhada de campanha em Osasco, na Grande São Paulo.

Dilma afirmou que pediu abertura de investigação sobre o caso que vai envolver vários órgãos do governo, como Casa Civil, Instituto Nacional de Tecnologia da Informação, Ministério da Justiça, Secretaria-Geral da Presidência e Controladoria-Geral da União. “Pela experiência que a gente sabe que existe, acho que é possível descobrir (os responsáveis)”, disse.

A presidente afirmou ainda que “repudia integralmente” qualquer tipo de ação como essa e lembrou que na campanha passada já teve a conta de e-mail pirateada. “Nesse caso, é algo que quem quiser fazer individualmente que faça, mas não coloque o governo no meio.”

Os perfis virtuais dos jornalistas Míriam Leitão e Carlos Alberto Sardenberg foram alterados em maio de 2013 por meio da rede interna da Presidência, conforme mostrou o jornal O Globo. No de Miriam, foram inseridas frases que classificam suas análises como “desastrosas”. No de Sardenberg, foi feita alteração que diz que ele “já cometeu erros notáveis”.

Na sexta-feira, a Associação Nacional de Jornais (ANJ) divulgou nota condenando a invasão dos perfis. Assinado pelo vice-presidente da ANJ, Francisco Mesquita Neto, também responsável pelo Comitê de Liberdade de Expressão da entidade, o texto diz que "as alterações, efetuadas no mês de maio do ano passado, continham críticas e afirmações inverídicas e desqualificadoras em relação aos dois profissionais". A entidade diz esperar "que o Palácio do Planalto apure o ocorrido e tome as devidas providências".