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DIDA SAMPAIO|Estadão

'É difícil ser republicano neste país', diz Cardozo

Ex-ministro da Justiça, recém-saído do cargo, afirma que sofreu críticas e pressões de todos os lados, e não apenas do PT, seu partido

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Vera Rosa,
O Estado de S. Paulo

01 Março 2016 | 23h27

BRASÍLIA - De saída do Ministério da Justiça, José Eduardo Cardozo afirmou nesta terça-feira, 1.º, que sofreu críticas e pressões de todos os lados, e não apenas do PT, seu partido. “É difícil ser republicano neste País”, afirmou ele ao Estado. “Houve uma situação de fadiga de material.”

Cardozo tomará posse nesta quinta-feira na Advocacia-Geral da União (AGU), atendendo a pedido da presidente Dilma Rousseff. Ele decidiu entregar o cargo na Justiça, que ocupou durante cinco anos, após forte pressão do PT e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Alvo da Operação Lava Jato, Lula sempre o responsabilizou por não controlar a Polícia Federal.

O novo chefe da AGU, porém, tentou amenizar o mal estar com Lula e com o seu partido. “As críticas foram de setores da base aliada do governo e da oposição. Não posso imputar isso a A, B ou C. É da vida”, desconversou. “Recentemente, por exemplo, a oposição me criticou por causa da abertura de um inquérito”, disse ele, numa referência à investigação aberta pela Polícia Federal para apurar se o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso enviou dinheiro no exterior à jornalista Miriam Dutra, com quem teve um relacionamento, por meio da empresa Brasif. FHC nega ter usado qualquer empresa para transferir recursos ao exterior.

Cauteloso, o ministro disse que Lula é “um grande líder” e afirmou não ter nenhuma intenção de sair do PT. Ao ser questionado sobre o maior desafio do partido, que completou 36 anos, ele não quis entrar em polêmica. “O PT não pode envelhecer”, argumentou.

Cardozo integra a corrente Mensagem ao Partido, a segunda maior força da legenda. Quando eclodiu o escândalo do mensalão, em 2005, a Mensagem -- como é conhecida a tendência -- pregou a “refundação” do PT e a renovação de práticas internas.

Na noite desta terça-feira, sem esconder o cansaço, tudo o que Cardozo não queria, porém, era falar de política. Ele assegurou que a autonomia das investigações da Lava Jato “será respeitada” por seu sucessor, Wellington Cesar Lima e Silva, e minimizou as críticas à sua indicação.

Integrantes da Advocacia Pública Federal divulgaram nesta segunda-feira uma nota de repúdio à nomeação de Cardozo, que substituirá Luís Inácio Adams. Para eles, a escolha de um nome fora da carreira é um “retrocesso inaceitável” por ignorar a lista tríplice apresentada à Presidência da República com os mais votados pela AGU.

“É normal que as corporações façam essas reivindicações. Eu também sou advogado público e tenho certeza de que vamos nos entender”, afirmou Cardozo. “A minha disposição é de total diálogo. Não há por que ter divergências. Vamos somar esforços.”

Cardozo também vai cuidar da defesa de Dilma no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), onde tramitam ações do PSDB pedindo a cassação dela e a do vice, Michel Temer, por abuso de poder econômico. “É a primeira vez na história que vejo alguém ter a tese do impeachment na mão e procurar um fato para justificá-lo”, ironizou. 

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