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Dornelles é a favor da proposta da oposição para CPI

DÉBORA ÁLVARES E RICARDO BRITO - Agência Estado

09 Abril 2014 | 11h 45

Após rejeitar convite para relatar o recurso sobre a abrangência da CPI da Petrobras, o senador Francisco Dornelles (PP-RJ) defendeu, nesta quarta-feira, 9, a instalação imediata da investigação proposta pela oposição. Durante sua fala na reunião da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, chamou de "inconstitucional" e "antirregimental" a comissão "combo" que o governo quer implantar.

O posicionamento de Dornelles vai de encontro às orientações do Palácio do Planalto de tentar impedir a instalação da CPI e à estratégia traçada pelos aliados da presidente Dilma Rousseff para tentar blindá-la. "Considero que a decisão do presidente dessa Casa deve ser reformada", afirmou o senador.

Ele foi o primeiro escalado pelo presidente da CCJ, Vital do Rêgo (PMDB-PB), para relatar a questão que trata da ampliação do foco da comissão. Rejeitou o convite sob o argumento de que estava envolvido na discussão de outro tema, a Medida Provisória 627, conhecida como MP das Coligadas.

Com a recusa de Dornelles, Vital recorreu a um velho aliado do governo, o senador Romero Jucá (PMDB-RR), que em seu relatório defendeu a instalação da CPI dos governistas, ampla. Além de Petrobras, seriam alvo de apurações irregularidades nas obras do metrô de São Paulo e do Distrito Federal, e no porto de Suape, numa estratégia de desgastar os adversários de Dilma nas eleições deste ano, Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB).

Embora tenha se posicionado contra o relatório de Jucá e os interesses do governo, o senador do PP disse entender que os objetos propostos poderiam ser melhor apurados pelo Ministério Público e pela Polícia Federal. "Não assinei requerimento constitutivo de CPI porque entendo que os fatos podem ser melhor investigados pelo MP e PF", ressaltou.

Histórico

O PP, partido do senador Dornelles, é citado nas investigações da Operação Lava Jato da Polícia Federal. Documentos apreendidos pelos investigadores, relevados pelo Estado, mostram a intermediação do doleiro Alberto Yousseff em doações de R$ 4,640 milhões de fornecedores da Petrobras a diretórios do PP e do PMDB em 2010.