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Hélvio Romero|Estadão

Doria responde Matarazzo: 'Não é com mimimi que se faz democracia'

Em entrevista na qual anunciou sua desfiliação do PSDB, o vereador chamou o empresário de 'piada pronta' e disse que ele trata a militância tucana como um 'senhor feudal'

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Pedro Venceslau,
O Estado de S.Paulo

18 Março 2016 | 14h33

O empresário João Doria, pré-candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo,  classificou como "mimimi" as críticas sobre ele feitas nesta sexta-feira, 18, pelo vererador Andrea Matarazzo, que desistiu de disputar as prévias partidárias e se desfiliou da legenda. "Não é como mimimi que se faz democracia. O Andrea não é dono do PSDB", afirmou Doria em entrevista à Rádio Estadão.

Em entrevista concedida na manhã desta sexta, Matarazzo chamou Doria de "piada pronta" e disse que ele trata a militância tucana como um "senhor feudal".

Segundo Doria, que é apoiado pelo governador Geraldo Alckmin, o vereador "não teve coragem" de disputar o segundo turno das prévias, que ocorrerão no próximo domingo, 20.

O empresário revelou, ainda, que fechou no apoio do DEM, PPS e SDD para disputar a Prefeitura. "Essa é a primeira prévia para valer. Na outra, Serra foi colocado no último momento. Foi uma prévia light", diz o empresário.  "Provavelmente ele deve ir para outro partido", concluiu Doria sobre Matarazzo.

O vereador anunciou sua desfiliação do PSDB, partido do qual era filiado desde 1993, na manhã desta sexta. O agora ex-tucano disputava as prévias da legenda que definirão o nome do candidato da sigla na disputa pela Prefeitura da capital paulista. A decisão foi tomada depois que o diretório estadual do PSDB reverteu, nessa quinta, 17, o adiamento do segundo turno das prévias. A votação que acontecerá neste domingo terá apenas um candidato, o empresário João Doria Jr.

PSD. O vereador deixou aberta a possibilidade de se filiar ao PSD, partido que é comandado pelo seu amigo e aliado Gilberto Kassab, ministro das Cidades. "Não me resta outra alternativa senão me desfiliar do PSDB. Essa foi uma decisão solitária minha" disse Matarazzo.

Quando indagado sobre a possibilidade de migrar para o PSD, partido que sinalizou apoio a uma eventual candidatura sua, Matarazzo foi evasivo. "Cada dia a sua agonia." Na entrevista, Matarazzo acusou o governador Geraldo Alckmin (PSDB) de ter utilizado a máquina pública para promover a pré-candidatura de João Doria. Segundo Matarazzo, o uso da máquina ocorreu por meio da pressão política exercida pelos secretários da administração estadual. "Não tem porque eu legitimar uma fraude."

Matarazzo também fez duras críticas a João Doria. "O outro candidato trata nossa militância como senhor feudal. Ele é uma piada pronta."

Nas últimas eleições municipais, Matarazzo recebeu 137 mil votos e foi o vereador mais votado do PSDB em todo o País. "A ala liderada pelo governador Geraldo Alckmin não me deixou outra alternativa." O parlamentar, que era líder do PSDB na Câmara, questionou o futuro político de Alckmin. "O governador vai ficar no partido depois dessa cizânia? Não sei."

A desfiliação de Matarazzo ocorreu por meio de uma carta protocolada no partido e endereçada ao presidente do diretório municipal, vereador Mario Covas Neto. Em um texto de três páginas, ele afirma que o processo de prévias foi "completamente contaminado pelo arranjo do pré-candidato João Doria". Ainda segundo a carta, houve "flagrante uso da máquina estatal" para auxiliar o empresário. "Mais grave, antecipando a campanha presidencial de 2018, com o cabo eleitoral passando ao largo dos interesses locais." Em outro trecho, o vereador afirma que "estão todos em risco". O texto se encerra com exaltação à história do PSDB. "O PSDB ainda é um partido formado por uma parcela de pessoas dignas, militantes dedicados e batalhadores, mas que foram atropelados por essa forma arcaica, atrasada de se fazer política."

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