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Doria é confirmado e Alckmin prepara campanha ‘nacional’

Escolha do empresário para ser o candidato do PSDB à Prefeitura fortalece projeto do governador para disputar Presidência em 2018

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Pedro Venceslau,
O Estado de S.Paulo

20 Março 2016 | 23h52

Após um conturbado processo de prévias, militantes do PSDB paulistano elegeram ontem o empresário João Doria como candidato do partido à Prefeitura de São Paulo. Além de significar uma vitória pessoal do governador Geraldo Alckmin sobre os principais cardeais da legenda, o resultado abre caminho para seu projeto de ser candidato à Presidência em 2018.

Doria recebeu ontem 3.152 votos de um total de 3.266. Na sexta-feira, o vereador Andrea Matarazzo, que era apoiado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e pelo senador José Serra, desistiu de participar do 2.º turno das prévias, desfiliou-se do PSDB e pode migrar para o PSD, legenda do ex-prefeito e hoje ministro Gilberto Kassab. Com a saída de Matarazzo, Doria ficou sem adversário na disputa.

Apesar disso, o resultado foi contestado pelo ex-governador Alberto Goldman, para quem as prévias deveriam ter participação mínima de 20% dos 27 mil tucanos filiados na cidade – ou cerca de 5.400 votantes. Um dos coordenadores da pré-campanha de Doria, o ex-deputado Julio Semeghini rebateu o correligionário. “Não há quórum mínimo para prévias, só para a convenção.”

Lado a lado. Ontem, depois de votar no Butantã, Alckmin acompanhou Doria, que votou em Pinheiros. Ao sair do local, o governador classificou como “desrespeito e ofensa” as acusações de compra de voto e abuso do poder econômico feitas contra o aliado por Matarazzo.

Doria afirmou que a disputa foi “aguerrida” e que vai procurar os senadores Serra e Aloysio Nunes, além de FHC e Goldman, que apoiaram Matarazzo no 1.º turno. “Vou procurar todos eles. Agora temos um único campo: do PSDB. Os princípios do partido serão preservados.”

FHC e Serra, que também vislumbra a possibilidade de disputar o Planalto, tentaram costurar uma saída de consenso, mas Alckmin manteve Doria na disputa. Tucanos de todas as alas dizem que o racha é “irreversível”.

Nas próximas semanas, Alckmin vai comandar o processo de construção do palanque de Doria. A negociação de apoio com partidos para ampliar o tempo de TV começará por legendas que orbitam na área de influência de Alckmin: PSB, PPS, DEM, Solidariedade e PV.

A expectativa no entorno de Doria é de que a eleição será um “espelho” de 2018 e dará visibilidade a Alckmin. O próprio empresário quer “nacionalizar” a disputa, alegando que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva prometeu participar da campanha do prefeito Fernando Haddad (PT).

Ao votar nas prévias, acompanhado do governador de Goiás, Marconi Perillo, Alckmin fez um discurso de temática nacional. O governador defendeu o impeachment da presidente Dilma Rousseff, exaltou FHC e pregou a tese de que o PSDB deve realizar primárias em 2018, como as dos partidos norte-americanos.

Alckmin disse que concordou em “gênero, número e grau” com a entrevista de FHC ao Estado na qual ele defende o impeachment. Ele é um estadista. Concordo em gênero, número e grau com o que disse o presidente Fernando Henrique Cardoso”.

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