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Dono da Ecoglobal nega operações com doleiro

MURILO RODRIGUES ALVES E ANDREZA MATAIS - Agência Estado

11 Abril 2014 | 18h 40

O dono da Ecoglobal Ambiental Serviços e Comércio, Vladimir Magalhães da Silveira, negou que tenha vinculação contratual ou pessoal com o doleiro Alberto Youssef e com o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto da Costa. "Nunca tive contato com eles, não os conheço", afirmou.

Segundo Silveira, em outubro do ano passado ele recebeu uma proposta de Pedro Storti e Paulo Juris por 80% da Ecoglobal, que presta serviços, desde 2006, à petroleira. A oferta foi feita em nome de Paulo Roberto da Cosa e de Alberto Youssef, que demonstraram interesse em comprar quase a totalidade da empresa pelo número de contratos que a Ecoglobal conseguiu com a Petrobras, principalmente pelo último, de R$ 443,8 milhões.

Pelo negócio, Silveira ganharia em torno de R$ 20 milhões, mas a compra estava condicionada à efetivação do contrato da Ecoglobal com a Petrobras. A filha de Silveira disse que a Polícia Federal encontrou e-mail no qual há o relato da proposta e que, por isso, ele foi intimado a prestar esclarecimentos nesta sexta-feira, quando a PF deflagrou a segunda etapa da Operação Lava-Jato. Ele afirma que foi questionando por 30 minutos pelos policiais.

Agentes da PF também realizaram buscas na sede da Petrobras. Ao todo, a PF cumpriu 23 mandados de busca, apreensão e prisão nas cidades de São Paulo, Campinas, Rio de Janeiro, Macaé e Niterói. Estão previstas duas prisões temporárias, seis conduções coercitivas - quando a pessoa é levada apenas para prestar depoimento - e 15 buscas e apreensão.

O dono da Ecoglobal afirmou que recusou a proposta do ex-diretor da Petrobras quando soube que o doleiro estaria por trás da oferta. O doleiro e o ex-diretor da Petrobras eram sócios em alguns negócios. "Não faço negócios com esse tipo de gente", afirmou. Segundo ele, houve ainda a intimidação de que os dois teriam "braço longo" na empresa estatal, o que poderia prejudicá-lo.

De acordo com Silveira, o atual contrato da Ecoglobal com a Petrobras gira em torno de R$ 450 milhões e se estenderá por quatro anos, a começar em julho deste ano. Ele afirma que o contrato foi objeto de licitação e que a empresa dele foi a vencedora entre dez concorrentes que receberam convite.

Ele acredita que contribuiu para as investigações da PF, mas teme que o contrato com a estatal seja rescindido por causa do depoimento. Silveira disse que foi acordado às seis da manhã pelos policiais em casa. A PF também esteve na sede da empresa em Macaé (RJ) e no escritório na capital fluminense. Segundo ele, houve "urbanidade" no tratamento, mas alega que foi prejudicado moralmente.

"A Ecoglobal executa satisfatoriamente, dentro das melhores práticas, os serviços para os quais foi contratada, resultantes de regular processo licitatório conduzido pela Petrobras", diz o comunicado divulgado pela empresa, que colocou à disposição os contratos que mantém com a petroleira.

Etapa

Alberto Youssef foi preso no dia 17 de março, sob suspeita de lavar dinheiro de propinas de fornecedores da petroleira. A primeira fase da operação focou na atuação dos doleiros. A operação cumpriu 24 mandados de prisão, além de apreender documentação, veículos, obras de arte e joias em 17 cidades de seis Estados e no Distrito Federal. Youssef já havia sido condenado no caso Banestado, esquema montado nos anos 90 de evasão para o exterior de US$ 30 bilhões. Entre os presos estava também o ex-sócio da Bônus-Banval Enivaldo Quadrado, condenado por envolvimento no mensalão.

Três dias depois, Paulo Roberto da Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, foi preso pela Polícia Federal sob a suspeita de corrupção passiva em razão de suas relações com o doleiro. Em sua casa, a PF encontrou grande quantia de dinheiro em espécie - US$ 180 mil e R$ 720 mil. Costa também é investigado pelo Ministério Público Federal do Rio de Janeiro por irregularidades na compra pela Petrobras da refinaria de Pasadena, no Texas, Estados Unidos. O ex-diretor foi um dos responsáveis por elaborar o contrato da compra da refinaria.