Documento de ministro tem ‘selo’ com sigla PR

Marca digital em carta supostamente assinada por Alexandre Padilha pode ter origem na Presidência da República; PF e sindicância investigam caso

Leonencio Nossa e Tânia Monteiro, de O Estado de S.Paulo,

10 Dezembro 2010 | 23h01

BRASÍLIA - O arquivo de computador que contém uma carta com a assinatura do ministro de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, apresenta uma espécie de "selo" digital que indica que o papel foi criado na Presidência.

 

Informado ontem pelo Estado desse rastro, Padilha disse que a Polícia Federal e uma sindicância interna do Planalto vão investigar a origem do documento.

 

Na manhã desta sexta-feira, 10, Padilha afirmou que sua assinatura, usada para permitir a liberação de R$ 3,1 milhões do Ministério do Turismo para uma entidade fantasma, foi escaneada de documentos públicos na internet.

 

As propriedades do PDF (formato do arquivo que contém o texto que leva a assinatura de Padilha) indicam que o arquivo foi produzido pela SEDES-PR, mesma sigla da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Social, órgão de responsabilidade da pasta de Relações Institucionais.

 

A assessoria do ministro afirmou que os "fatos e o local de produção do documento serão esclarecidos pela sindicância interna e pela investigação da Polícia Federal". "Nas propriedades do documento PDF que nos foi enviado (pelo jornal) surgem fatos a serem esclarecidos pela apuração", destaca a nota.

 

O documento PDF tem como título "Memo no /2004/SEDES-PR". "Apesar do título, a data de criação do documento aparece como 24/03/2010, dois dias após a data que consta na declaração", diz a nota do ministério. A assessoria ressalta, ainda, que a ex-servidora Crisley Lins trabalhou na Sedes de 24 de fevereiro de 2003 a 16 de agosto de 2006.

 

O Estado apurou que o Planalto não descarta que o documento saiu de um computador de dentro da Secretaria de Relações Institucionais. O Planalto acha que não terá dificuldades em encontrar o responsável pelo episódio para puni-lo exemplarmente.

 

A decisão de recorrer à PF e abrir uma sindicância interna foi acertada numa audiência que Padilha teve com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na quinta-feira, logo após o Estado apresentar a declaração com sua assinatura a favor do Instituto Brasil de Arte, Esporte, Cultura e Lazer (Inbrasil), entidade que conseguiu a liberação dos recursos do Ministério do Turismo.

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