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'Doação de imóveis de graça é tentativa de burla ao processo', diz relator do TCU

Beatriz Bulla - O Estado de S. Paulo

20 Agosto 2014 | 17h 45

José Jorge afirmou que irá pedir diligências para apurar a veracidade da notícia veiculada pelo jornal O Globo

O ministro relator do caso Pasadena no Tribunal de Contas da União (TCU), José Jorge, disse que a doação de imóveis da presidente da Petrobras, Graça Foster, e do ex-diretor da área internacional, Nestor Cerveró, caso seja confirmada, é algo "gravíssimo. "Se isto for verdade e dependendo da extensão, configura uma burla ao processo de apuração de irregularidade", disse o ministro, após a sessão que adiou novamente a definição sobre o bloqueio patrimonial da presidente da estatal.

José Jorge afirmou ainda que irá pedir diligências para apurar a veracidade da notícia veiculada nesta tarde no portal do jornal O Globo. De acordo com a publicação, Graça e Cerveró doaram imóveis a parentes após estourar o escândalo sobre a compra da refinaria de Pasadena. No caso de Graça, a doação foi feita em março, um dia após a divulgação pelo Estado da nota da presidente Dilma Rousseff em que diz que a compra de Pasadena foi aprovada com base em parecer tecnicamente falho.

"É um indicativo de que nós fizemos a coisa certa ao fazer a indisponibilidade de bens", afirmou José Jorge. O ministro recebeu a notícia por mensagem, durante a sessão, após a leitura de seu voto. De acordo com o relator, a divulgação sobre a doação dos imóveis não muda em nada sua posição, que é pelo bloqueio dos bens da presidente da estatal.

"Como havia alguns ministros que tinham votos que excluíam a presidente Graça Foster dessa questão da indisponibilidade dos bens, resolvi tirar de pauta, para que notícia do jornal possa ser apurada", afirmou. O ministro Walton Alencar Rodrigues havia acabado de ler voto no qual era contra o bloqueio de bens de Graça Foster quando José Jorge pediu o adiamento do caso.

A expectativa do ministro é de que, em uma semana, possa ser verificada a veracidade da notícia. "Se há uma dúvida, é melhor não decidir", afirmou.