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Dinheiro pago pela SBM pode ter beneficiado terceiros

Fábio Fabrini, Fábio Brandt - O Estado de S. Paulo

29 Junho 2014 | 13h 49

Informações foram relatadas por funcionários da SBM à comissão da Petrobrás

BRASÍLIA - Uma equipe de investigação privada contratada pela SBM Offshore encontrou dificuldades para rastrear o dinheiro pago a Julio Faerman – ex-representante da empresa no Brasil, acusado de distribuir propinas a funcionários da Petrobrás em troca de contratos de locação de plataformas flutuantes. Após a auditoria, os investigadores não afastaram a possibilidade de que terceiros sejam os “beneficiários efetivos” dos recursos.

As informações foram relatadas por funcionários da SBM à comissão da Petrobrás destacada para investigar o caso. Segundo relatórios da estatal, obtidos pelo “Estado”, após as denúncias de suborno, a SBM, que fez contratos de US$ 27 bilhões com a estatal, acionou a Kroll, uma das maiores empresas no segmento de investigação privada, para levantar quem seriam os sócios das empresas de Julio Faerman.

Faerman recebia comissões de cerca de 3% nos negócios feitos com a Petrobrás. Os pagamentos eram feitos pela SBM a partir da Suíça e de Mônaco. A Kroll concluiu que o equivalente a dois terços desses recursos era transferido a quatro empresas em nome dele, do sócio Luís Eduardo Barbosa da Silva e de familiares nas Ilhas Virgens Britânicas, conhecido paraíso fiscal. Só o restante, o equivalente a um terço, teria sido pago no Brasil.

Durante auditoria societária nas empresas, foram identificados títulos ao portador, por meio dos quais o portador pode receber dividendos das empresas, embora não seja formalmente seu dono. Julio Faerman, no entanto, afirmou em depoimento à SBM que ele próprio era o beneficiário final dos recursos. O ex-representante explicou que os pagamentos eram feitos no exterior como uma estratégia de “planejamento fiscal”.

“Não é possível afastar a possibilidade de que os sócios dessas empresas sejam proprietários legais das ações, mas que os beneficiários efetivos sejam terceiros”, relatou a equipe da Petrobrás, após reuniões com funcionários da SBM.

De 2005 a 2011, ao todo, Faerman recebeu US$ 127 milhões em comissões da SBM, conforme os relatórios da Petrobrás. Ele é acusado de pagar propinas a funcionários da estatal para obter contratos de aluguel de plataformas flutuantes. A denúncia foi publicada no site Wikipedia por um ex-funcionário da empresa. Segundo os relatórios obtidos pelo “Estado”, trata-se de Jonathan David Taylor, ex-diretor da SBM no Reino Unido.

Faerman nega qualquer irregularidade nas negociações com a Petrobrás. Os relatórios da investigação concluíram que ele tinha intenso contato com ex-dirigentes da estatal. Porém, a Petrobrás e a SBM não chegaram, segundo os documentos, a provas de que, de fato, houve corrupção. O caso também é investigado pela Polícia Federal, a Controladoria-Geral da União (CGU), duas CPIs no Congresso e o Ministério Público holandês. 

Como revelou o jornal “O Estado de S. Paulo” neste domingo, uma das empresas de Faerman, que representava a SBM em 2011, ofereceu viagem para conhecer vinícolas argentinas aos ex-diretores Jorge Zelada, da Área Internacional, e Renato de Souza Duque, de Serviços, na companhia do ex-representante.