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Roberto Stuckert Filho|Divulgação

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Dilma teme violência em protestos marcados para o dia 13

Presidente teme que atos marcados para o próximo domingo contra o seu mandato possam acirrar a violência entre manifestantes contrários e a favor e trazer danos ainda maiores para a imagem do governo e do PT

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Tânia Monteiro e Carla Araújo,
O Estado de S. Paulo

07 Março 2016 | 20h07

BRASÍLIA - Depois do temor de que as manifestações marcadas para o próximo domingo contra o seu mandato possam acirrar a violência entre militâncias pró e contrárias ao governo, a presidente Dilma Rousseff dedicou grande parte do dia para tratar sobre o tema. Assim que retornou de uma agenda do Minha Casa Minha Vida, em Caxias do Sul (RS), ela convocou seus ministros mais próximos para uma reunião de emergência. Queria se atualizar com o mapeamento dos protestos e ver que tipo de apoio o governo federal poderia oferecer aos Estados para evitar um possível enfrentamento.

Enquanto Dilma ainda viajava, o presidente nacional do PT, Rui Falcão, esteve pela manhã no Palácio do Planalto reunido com os ministros da Casa Civil, Jaques Wagner e da Secretaria de Governo, Ricardo Berzoini. Na conversa, Falcão alertou aos ministros petistas para o risco que o partido corre caso episódios de grave violência sejam registrados no domingo. 

A avaliação de petistas é de que a ação do juiz Sérgio Moro de decretar a condução coercitiva do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva levou o padrinho político de Dilma a insuflar a militância, que não só saiu para as ruas em defesa do seu líder na própria sexta-feira como começou a se mobilizar para novos protestos no domingo.

Dentro do governo há quem defenda que algum entendimento devesse ser feito com lideranças oposicionistas no sentido de cobrar também deles “responsabilidade” para acalmar os ânimos e evitar “uma guerra de torcidas pró e contra o governo”. 

Apesar de ser tratada por interlocutores como uma reunião de coordenação política convocada de última hora por Dilma, a reunião, que durou grande parte da tarde e início da noite, foi “enxuta”, apenas com a participação dos ministros Jaques Wagner (Casa Civil), Ricardo Berzoini (Secretaria Geral) e o assessor especial da presidente, Giles Azevedo. Em viagem ao Rio, o ministro da Defesa, Aldo Rebelo, se integrou ao encontro depois. 

Os protestos são também foco de preocupação do Exército. Na mensagem semanal encaminhada para os militares da reserva, na sexta-feira passada, o comandante da Força, general Eduardo Villas Bôas, disse que a instituição “acompanha com muita atenção a evolução da crise política judicial instalada em nosso País e terá uma posição pacificadora em busca da conservação da ordem pública”. Villas Bôas pede que os atores envolvidos se “posicionem de forma serena”, independentemente do viés ideológico.

Conselho. O Conselho de Comunicação Social do Congresso Nacional divulgou ontem nota de repúdio às agressões a jornalistas ocorridas nos últimos dias durante exercício da profissão em coberturas de confrontos entre militâncias antagônicas. “O Conselho exorta a todos para que a liberdade de expressão prevaleça e as discordâncias sejam manifestadas com vigor, mas nunca com o emprego da violência”, diz a nota assinada pelo presidente do Conselho, Miguel Ângelo Cançado.

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