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Cardozo vai para a AGU e aliado de Wagner assume Ministério da Justiça

- Atualizado: 01 Março 2016 | 08h 41

Petista é atualmente o ministro mais próximo de Dilma e ela quer preservá-lo no núcleo de decisões do governo

José Eduardo Cardozo ao lado da presidente, Dilma Rousseff durante a 1ª Conferência de Política Indigenista, em 2015

José Eduardo Cardozo ao lado da presidente, Dilma Rousseff durante a 1ª Conferência de Política Indigenista, em 2015

A presidente Dilma Rousseff aceitou ontem o pedido de demissão do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que estava no comando da pasta desde o primeiro mandato da petista. Ele será substituído pelo ex-procurador-geral da Justiça da Bahia, Wellington César Lima e Silva, oriundo do Ministério Público estadual baiano e ligado ao ministro da Casa Civil, Jaques Wagner.

A troca ocorre no momento em que a Operação Lava Jato avança sobre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e após a prisão do marqueteiro de campanhas petistas João Santana. O PT vinha criticando a falta de controle de Cardozo sobre a Polícia Federal e o ministro se queixava da pressão do partido. 

Cardozo, contudo, aceitou o apelo de Dilma para permanecer no governo como ministro-chefe da Advocacia-Geral da União (AGU), em substituição a Luís Inácio Adams. Com o novo posto, ele continua responsável pela interlocução entre Executivo e Judiciário. A substituição gerou reações divergentes nos órgãos responsáveis pela condução da Lava Jato e de outras operações em curso. 

Tanto que o Palácio do Planalto fez um apelo para que o diretor-geral da Polícia Federal, Leandro Daiello, permanecesse no cargo mesmo após a troca na Justiça. A função é subordinada ao ministério, mas o governo avaliou que, neste momento, a saída de Daiello poderia provocar especulações de que há uma tentativa de ingerência nas operações em andamento. O pedido para que ele ficasse no cargo não partiu de Cardozo, mas do Planalto, e foi aceito. Daiello avaliou que não é ocasião apropriada para deixar o cargo.

O ministro de Dilma que o PT nunca engoliu
Luiz Paulo Lima|Estadão
Caso CPEM

Em 1997, Cardozo integrou a comissão interna do PT que investigou o caso da Consultoria para Empresas e Municípios (Cpem), com sede em São Bernardo do Campo. A Cpem teria sido contratada sem concorrência em gestões petistas, o que teria provocado desvio de dinheiro público. O relatório da comissão recomendava que o advogado Roberto Teixeira, irmão do dono da Cpem e compadre de Lula, fosse submetido a uma comissão de ética. Teixeira foi inocentado no episódio, que provocou o primeiro atrito entre Cardozo e Lula.

Embora a PF seja independente, o novo ministro pode interferir de forma pontual, com impedimento de divulgação de operações, determinação de abertura de inquérito a pedido de parlamentares da base governista, reduzir o orçamento do órgão e apoiar projetos de lei restringindo os trabalhos de investigação.

A relação da PF com o novo ministro deve mudar, uma vez que Cardozo e Daiello estabeleceram relação de confiança e troca de informações. Com origem do Ministério Público, órgão que tradicionalmente tem divergências com a Polícia Federal sobre investigações, César chega ao posto com a desconfiança dos delegados. Ministério Público e PF dividem a condução de operações como Lava Jato, Zelotes e Acrônimo. 

‘Preocupação’. Em nota, antes até da confirmação da saída de Cardozo, a Associação Nacional dos Delegados da Polícia Federal disse que a entidade recebeu com “extrema preocupação a notícia”, em “razões de pressões políticas para que controle os trabalhos” da corporação.

Após a confirmação de sua saída, Cardozo teve reunião com o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, com quem tinha relação próxima enquanto esteve no comando do ministério.

Na Procuradoria-Geral da República, o nome foi bem recebido pela cúpula do órgão. “Ele é técnico. Não acredito que um membro do MP tenha sido nomeado para embarreirar a Lava Jato”, afirmou um interlocutor de confiança de Janot. 

Padrinho político do novo ministro, Jaques Wagner foi identificado por investigadores da Operação Lava Jato em trocas de mensagens com o ex-presidente da OAS Léo Pinheiro, condenado pela Justiça Federal. Procuradores não acreditam, no entanto, em interferência nas investigações.

Para um dos integrantes do Grupo de Trabalho que investiga a participação de políticos no esquema de corrupção na Petrobrás, a indicação de César foi “surpreendentemente boa”. Procuradores temiam a indicação do deputado federal Wadih Damous (PT-RJ) ao cargo, sob risco de “enterrar” o trabalho técnico.

César é visto na Procuradoria-Geral da República como um nome “sério”, “ponderado” e “juridicamente preparado”, com formação sólida em direito penal. A origem na área criminal é bem recebida entre os procuradores da República ligados às investigações.

“Nós, do Ministério Público, temos total confiança e orgulho em ver um colega chamado para exercer uma função dessas. Temos confiança de que ele vai cumprir a função com competência”, disse o presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República, José Robalinho Cavalcanti. / COLABOROU FÁBIO FABRINI

 

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