ADRIANO MACHADO|REUTERS
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Dilma se reúne com Lula e ministros no Alvorada para tratar da articulação política

O ex-presidente está fazendo inúmeras articulações políticas em Brasília com objetivo de ajudar a rearrumar a base aliada e evitar que o mandato da presidente Dilma possa ser colocado em julgamento pelo Congresso

Tânia Monteiro, com Isadora Peron e Irany Tereza, O Estado de S. Paulo

15 Outubro 2015 | 18h56

Brasília - A presidente Dilma Rousseff se encontra nesta tarde com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Lula está em Brasília desde quarta em uma série de compromissos políticos e privados.

Pela manhã, o ex-presidente foi ao Ministério Público Federal do DF para prestar um depoimento voluntário no inquérito que o investiga por suspeita de tráfico de influência, durante viagens ao exterior, em favor da empreiteiras, entre elas, a Odebrecht.

Lula e Dilma têm muitos assuntos a tratar. O ex-presidente está fazendo inúmeras articulações políticas em Brasília com objetivo de ajudar a rearrumar a base aliada e evitar que o mandato da presidente Dilma possa ser colocado em julgamento pelo Congresso. Os ministros Jaques Wagner (Casa Civil) Edinho Silva (Secom) e Ricardo Berzoini (Secretaria de Governo), também participam da reunião no Alvorada. 

O ex-presidente também estaria atuando para reaproximar o Planalto do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, que está sob ameaça de afastamento do cargo, mas por denúncias de envolvimento nas irregularidades investigadas pela Lava Jato.

Depois do depoimento no MPF-DF, Lula pediu, em reunião com deputados petistas, que eles ajudem a fechar acordo com outros partidos para tentar barrar o processo contra Cunha na Comissão de Ética, por quebra de decoro parlamentar. 

Mas o governo tem encontrado resistência entre petistas, que não querem ajudar o presidente da Câmara. Cunha, por sua vez, ameaça colocar em andamento o processo de impeachment. Se queixa a interlocutores que o governo, que poderia ajudá-lo, não o faz, deixando que a Polícia Federal e o Ministério Público liberem informações que chama de "seletivas" e negativas, sobre ele. 

O Planalto reage dizendo que não tem controle sobre estes órgãos e a prova disso foi o vazamento de notícias de que o lobista Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano, afirmou, em sua delação premiada, disse que teria repassado cerca de R$ 2 milhões a Fábio Luís Lula da Silva, filho do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que nega o recebimento do dinheiro.

O vazamento desta informação e de que a Lava Jato poderia estar chegando perto de Lula têm irritado profundamente o ex-presidente, que vê nisso uma intenção de denegrir sua imagem e atacá-lo. Lula diz que não tem nenhuma responsabilidade sobre os problemas encontrados na Lava Jato e também defende seu filho das acusações. O ex-presidente tem se queixado a seus interlocutores da forma como os vazamentos estão acontecendo e tem cobrado de pessoas do governo as insinuações que circulam sobre ele.

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