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Dilma Rousseff chega a Bruxelas para cúpula União Europeia-Mercosul

Wilson Tosta - Enviado especial - O Estado de S. Paulo

23 Fevereiro 2014 | 10h 41

Presidente deverá se reunir com representantes das confederações da Indústria e da Agricultura

ROMA - A presidente Dilma Rousseff deixou em carro fechado e com vidros escuros a embaixada do Brasil na Itália às 11h11m deste domingo, 23, para, segundo sua assessoria, seguir para Bruxelas, na Bélgica, onde participará da cúpula União Europeia-Mercosul. Para a noite, está programado um jantar da presidente com representantes da Confederação Nacional da Agricultura (CNA) e Confederação Nacional da Indústria (CNI) do País, interessadas nos termos do acordo comercial que os dois blocos começaram a negociar há mais de uma década.

Dilma deixou a capital italiana depois de uma visita de pouco mais de dois dias em que se encontrou com o papa Francisco na noite de sexta-feira no Vaticano e assistiu no sábado ao Consistório Cardinalício no qual o arcebispo do Rio, D. Orani João Tempesta, tornou-se oficialmente cardeal da Igreja Católica, com 18 outros sacerdotes. A presidente foi embora sem falar com a imprensa neste domingo, após uma visita em que limitou os contatos oficiais com jornalistas a uma entrevista coletiva de pouco mais de dez minutos após a reunião com o pontífice.

Apesar de especulações sobre um possível encontro de Dilma com o presidente da Itália, Giorgio Napolitano, ele não aconteceu. A justificativa oficial é que o país estavaformando um novo governo, o que teria deixado o político italiano sem espaço em sua agenda. Um detalhe importante é que a ida de Dilma a Roma também não se constituiu em visita de Estado.

Na entrevista na noite de sexta, Dilma demonstrou certa irritação quando lhe perguntaram se trataria, em eventual conversa com o presidente italiano, do caso do ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato, que, condenado no processo do mensalão a 12 anos e 7 meses de cadeia por peculato, lavagem de dinheiro e corrupção passiva, fugiu para a Itália para tentar se beneficiar da dupla nacionalidade brasileira e italiana. Desde 5 de fevereiro, Pizzolato está preso no presídio de Sant'Anna, em Módena. O Brasil deve enviar o pedido de extradição do fugitivo ainda esta semana.

Dilma aproveitou a noite livre de sábado para atividades de lazer em Roma. No início da noite, assistiu à Missa em Si Menor, de Johann Sebastian Bach, em concerto da Orquestra Nacional da Accademia de Santa Cecilia, no Parco della Musica, em Roma, por duas horas, das 18h às 20h. Também foi à residência do embaixador do Brasil junto ao Vaticano, Dênis Fontes de Souza Pinto, onde era oferecida recepção em homenagem a D. Orani, a quem cumprimentou. Ficou cerca de 20 minutos no local. A presidente depois seguiu para um restaurante cujo nome sua assessoria de imprensa não revelou, para jantar com ministros que a acompanham.

Para evitar o assédio de repórteres, que davam plantão na Piazza Navona, em frente à embaixada, Dilma saiu pela porta dos fundos, onde há uma entrada de carros, e sua assessoria manteve a agenda em segredo. Há cerca de um mês, uma parada técnica que não oficialmente divulgada do avião presidencial em Lisboa causou polêmica, depois que foi revelado que Dilma jantou no caro restaurante Eleven e se hospedou no Hotel Ritz. A presidente rebateu as críticas dizendo que pagara o jantar do seu bolso. Um pedido de investigação feito pela oposição foi arquivado.