Foto: José Patricio/AE
Foto: José Patricio/AE

Dilma Rousseff busca adesão de eleitores na Assembleia de Deus

Ministra fez propaganda dos símbolos do governo Lula, como o Programa Minha Casa Minha Vida e o Bolsa Família

Carolina Freitas, da Agência Estado,

06 Outubro 2009 | 09h50

O jargão dos pastores neopentecostais está na ponta da língua da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT). De olho na fatia do eleitorado formada pelos evangélicos, que chega a 15% da população brasileira, Dilma esforçou-se na última segunda-feira (05), em São Paulo, para mostrar afinação com o grupo. Ela cobriu de elogios a Igreja Evangélica Assembleia de Deus e seu presidente, José Wellington Costa, num culto em comemoração ao aniversário do líder religioso, diante de uma plateia de 4 mil fieis, num templo da capital paulista.

 

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Dilma abriu o discurso de dez minutos saudando os "queridos irmãos e irmãs". "Que a paz do Senhor esteja com vocês", disse, para receber em resposta um uníssono "Amém". O fecho da fala deu-se com uma citação do Evangelho de João: "Vim para que todos tenham vida em abundância." Sem timidez, pediu que os fieis orassem para que a equipe do presidente Luiz Inácio Lula da Silva possa "seguir adiante".

 

A ministra aproveitou o altar para fazer propaganda dos símbolos do governo Lula, como o Programa Minha Casa Minha Vida e o Bolsa Família. "No governo Lula, a santa energia flui mais forte. Faz parte do nosso governo a luta pela dignidade. Tiramos mais de 30 milhões de brasileiros da pobreza", disse. "O governo Lula defende os valores cristãos e as crenças morais dos brasileiros."

 

Apesar de Dilma não ser religiosa, esse foi seu segundo encontro com os neopentecostais em pouco mais de um mês. Em 3 de setembro, em Brasília, ela recebeu de líderes dessas igrejas uma bênção e foi convidada a participar da Marcha para Jesus, em São Paulo, em novembro. Possível adversária de Dilma nas urnas em 2010, a senadora Marina Silva (PV) é ligada à Assembleia de Deus.

 

Peregrinação - A peregrinação da ministra já passou também pela Igreja Católica. Em março, ela veio à capital paulista para assistir à missa do padre Marcelo Rossi para mais de 20 mil pessoas. Em junho, discursou em celebração do grupo católico Canção Nova.

 

Na última segunda-feira, a possível candidata do PT à Presidência falou diante de líderes da Assembleia de Deus de pelo menos seis Estados brasileiros. A igreja tem no País 20 milhões de fieis. Vestida com um terno lilás e usando maquiagem discreta, a ministra assistiu a duas horas de cantos e discursos em homenagem ao aniversário do pastor Costa. Sentada atrás de um púlpito dourado, no centro do altar, ela acomodava no colo uma Bíblia preta, presente da mulher de Costa, Wanda.

 

A ministra esquivou-se de manifestações calorosas de fé diante da fala dos religiosos. Enquanto os fieis gritavam intermitentemente o nome de Jesus, Dilma mantinha o semblante sério, limitando-se a rir de alguma gracinha dita pelos religiosos ao microfone.

 

A fala que mais empolgou a ministra foi a do deputado federal e pastor evangélico Hidekazu Takayama (PSC). Apesar dos traços orientais, ele declarou-se "filho" de Costa, que tem ascendência nordestina. "Passo no máximo por um nordestino com conjuntivite", disse, provocando uma gargalhada de Dilma. Partiu de Takayama a mais clara defesa da candidatura da ministra. "Em suas mãos está o destino do nosso País", disse o deputado. "Estaremos ornado porque o seu sucesso será o sucesso do nosso Brasil." Ele recomendou que, diante de dificuldades, Dilma consulte a Bíblia. Ela assentiu com a cabeça e sorriu.

 

Apoio fluminense - Evangélico, o ex-governador do Rio Antony Garotinho (PR) prestigiou o culto sentado próximo à ministra. Os dois se cumprimentaram com beijinhos aos se verem. Após a cerimônia, Garotinho disse apoiar a candidatura à Presidência de Dilma e preparar o palanque dela no Rio. Para o ex-governador, a aprovação dos evangélicos ao nome da ministra tem origem no carinho da comunidade por Lula. "Se os evangélicos apoiarão Dilma, só o tempo dirá."

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