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AP Photo|Esteban Feli

Dilma estica agenda no Chile e se afasta de festa petista

Prevista para terminar no início da tarde de sábado, visita oficial da presidente ao país foi estendida; evento do PT deve acontecer à noite, no Rio

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Rodrigo Cavalheiro, enviado especial,
O Estado de S.Paulo

26 Fevereiro 2016 | 14h57

SANTIAGO/CHILE - A presidente Dilma Rousseff partirá de Santiago para Brasília às 17 horas de sábado, 27, em uma viagem de quatro horas, o que torna difícil sua presença na festa dos 36 anos do PT, programada para à noite no Rio. O fim da visita oficial da brasileira estava inicialmente previsto para o início da tarde de sábado, mas desta vez, a delegação brasileira não aparenta ter a usual pressa no regresso do exterior e estendeu a programação com empresários e economistas chilenos, convocados nos últimos dias. Dilma chegou ao Chile às 12h40 desta sexta-feira, 26.

A visita oficial da presidente a Michele Bachelet pegou a diplomacia dos dois países de surpresa. O sub-secretário-geral da América do Sul, Central e do Caribe, Paulo Estivallet, teve a confirmação apenas na semana passada. Ele atribuiu a pressa na concretização da visita a um segundo semestre apertado na agenda de Dilma, com os Jogos Olímpicos e a presença na reunião das Nações Unidas. "O fato de o Chile ter conseguido organizar uma recepção em tão pouco tempo mostra a amizade entre os dois países", afirmou o diplomata.

Foram convocados 25 empresários brasileiros para acompanhar a delegação. Está prevista uma reunião privada deles com Dilma no fim da tarde desta sexta-feira. Na manhã do sábado, será a vez de empresários chilenos, em menor número, ocuparem a agenda da presidente. Não ficou claro por que os dois grupos não participaram do mesmo encontro, se um dos motes da viagem é a integração e a presidente costuma encurtar ao máximo seus compromissos no exterior.

Na posse do argentino Mauricio Macri, em dezembro, Dilma chegou meia hora atrasada e saiu antes do almoço oficial. Ficou mais tempo nos voos entre Brasília e Buenos Aires do que em solo argentino. Na Cúpula do Mercosul em Assunção, no mesmo mês, ficou três horas no país. 

Depois de se reunir com os empresários chilenos, ela visitará a secretária-executiva da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), Alicia Bárcena, e discutirá com analistas econômicos.

Em entrevista ao jornal chileno Mercurio, Dilma sentiu-­se à vontade para defender o ajuste fiscal criticado por boa parte de sua base política. Destacou que foram cortados R$ 134 bilhões em 2015 e projetou outros R$ 23,4 bilhões este ano. Na mesma entrevista, ela elogiou parte da oposição. Militantes petistas também usam as redes sociais para criticar o governo por ter contribuído para a aprovação de um projeto do senador José Serra (PSDB-SP) que flexibiliza a exploração do pré-sal por empresas estrangeiras. 

Dilma foi informada de que a ofensiva do PT contra o ajuste ajuste será ampliada neste fim de semana, fator decisivo para afastar-se da celebração, na qual estará presente o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

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