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Política

Michel Temer

Dilma e Temer ensaiam reaproximação

Presidente e vice têm encontro marcado esta quarta-feira, 20, em Brasília, pela primeira vez após ele ter enviado carta com reclamações à petista em 2015

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ERICH DECAT, IGOR GADELHA, DAIENE CARDOSO, CARLA ARAÚJO e ISADORA PERON,
O Estado de S. Paulo

20 Janeiro 2016 | 03h00

BRASÍLIA - Em um gesto para tentar selar a aproximação com o vice-presidente Michel Temer, a presidente Dilma Rousseff recebe na manhã desta quarta-feira, 20, o peemedebista para uma conversa no Palácio do Planalto. Os dois não dividem a mesma mesa desde o início de dezembro. O distanciamento entre ambos ocorreu devido à possibilidade de avanço do processo de impeachment na Câmara e foi intensificado após o envio da carta do vice à presidente no mês passado, na qual ele afirma, entre outros pontos, que a petista não tem confiança nele.

Os ensaios para reconstruir as pontes entres os dois lados teve início já no final do ano passado, após o Supremo Tribunal Federal impor regras para o rito do impeachment e assegurar ao Senado, que tem perfil mais governista, papel decisivo no processo. Diante de um desfecho incerto, Temer alterou o tom e passou a pregar “unidade” e “harmonia” na relação.

A mudança de postura do vice ocorreu também devido à possibilidade de ele ter uma disputa pelo comando do PMDB, que detém desde 2001, na próxima convenção nacional da sigla, prevista para março. Temer passou a ter a reeleição ameaçada pelo grupo do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), próximo ao Planalto.

Começou, então, a negociar um acordo com os senadores, estratégia que vem sendo bem sucedida. Segundo o Estado apurou, Renan tem dito a aliados, neste últimos dias, que não pretende ir para a disputa nem apoiar um nome contra o vice. O recuo ocorre diante dos avanços das negociações conduzidas por Temer para que o senador Romero Jucá (PMDB-RR) ocupe a primeira vice-presidência da legenda.

Para Dilma, a aproximação com o vice também tem um componente de sobrevivência uma vez que o PMDB detém as maiores bancadas na Câmara e no Senado e é considerado como um fiel na balança na discussão em torno do processo de impeachment. A expectativa também é de que, ao ter o partido próximo ao Planalto, seja emitido um sinal de governabilidade para o restante das legendas que compõem a base aliada.

A reaproximação de Dilma e Temer tem influenciado até na briga pelo comando da legenda na Câmara. Ligado ao Planalto e contra o impeachment, o atual líder, Leonardo Picciani (RJ) tentará ser reconduzido ao cargo no próximo dia 17. A ala pró-impeachment, pro sua vez, busca ainda busca um nome viável para o embate. O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), desafeto do governo, articula um nome, mas há dificuldades. Leonardo Quintão (MG), o primeiro a ser escolhido, emitiu sinais ao Planalto de que não colocará o impeachment como fator determinante na escolha.

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