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Roberto Stuckert Filho|Divulgação

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Dilma e prefeito disputam crédito por obra no Recife

Briga pela 'paternidade' da obra vem desde 2014, quando a petista esteve no Recife para inaugurar o primeiro trecho da via

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Isadora Peron, enviada especial,
O Estado de S.Paulo

21 Janeiro 2016 | 14h03

RECIFE - A inauguração de uma obra viária na zona sul do Recife na manhã desta quinta-feira, 21, se transformou em palco de disputa política. A presença da presidente Dilma Rousseff na cerimônia gerou desconforto em aliados do prefeito Geraldo Julio (PSB), que pretende usar a obra como vitrine eleitoral durante a sua campanha de reeleição este ano.

Já no início do evento, enquanto militantes do PSB gritavam o nome do prefeito, os do PT, em menor número, tentavam puxar o coro de “olê, olê, olá, Dilma, Dilma”. Quando a presidente começou a falar, uma tímida vaia foi abafada por aplausos efusivos. 

A briga pela “paternidade” da obra vem desde junho de 2014, quando a petista esteve no Recife para inaugurar o primeiro trecho da chamada Via Mangue. Na época, Dilma tinha como adversário na disputa pela Presidência o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos (PSB), que morreu durante a campanha daquele ano.

No centro dessa polêmica, está a disputa sobre quem deu mais recursos para tirar a via expressa do papel: prefeitura ou governo federal. Nesta quinta, o release distribuído pela assessoria de imprensa da prefeitura do Recife destaca, inclusive com porcentagens, que a obra teve um custo de R$ 431 milhões, dos quais R$ 81 milhões (18,8%) foram pagos pela administração municipal, R$ 19 milhões (4,4%) pela União e o restante, R$ 331 milhões, via empréstimo da Caixa Econômica Federal, que serão pagos pelo município.

Já o texto divulgado pelo Ministério das Cidades diz que o custo total da via expressa foi de R$ 433,2 milhões, dos quais R$ 331 milhões seriam de financiamento do governo federal e R$ 102,2 milhões de contrapartida municipal.

Em seu discurso, Dilma afirmou que o governo foi responsável por conseguir um financiamento de longo prazo para a obra e subsidiar os juros que serão pagos pela prefeitura. Ela, porém, destacou a necessidade de governos de todas as esferas trabalharem em “parceria” para superar a atual crise econômica, independentemente das diferenças políticas.

“Nós todos temos que trabalhar muito para retomar o crescimento. É obvio que nós somos uma democracia, e numa democracia as pessoas podem divergir, discutir, se manifestar, falar que não concordam. Tudo isso é não só normal, como virtuoso. Agora, nada disso nos impede de ter acordo, unidade, ação conjunta, sobre algumas questões que são importantes para os pernambucanos, os nordestinos, os brasileiros. A democracia tem essa flexibilidade, ela permite que ao mesmo tempo que você critica, que você seja também capaz de agir em conjunto”, afirmou.

O prefeito do Recife, por sua vez, também fez um discurso para minimizar o mal estar e destacou que uma obra como essa “tem a mão de muita gente”. “Ninguém vai se arvorar a achar que construiu tudo isso sozinho, seria um ato ingênuo e de injustiça”, disse.

Iniciada em 2011, a Via Mangue foi projetada há mais de dez anos como via expressa de mão dupla. O objetivo da obra é desafogar o trânsito, um dos principais problemas da capital pernambucana.

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