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Dilma e Merkel discutem livre comércio com UE

Lisandra Paraguassu - O Estado de S. Paulo

15 Junho 2014 | 21h 57

Presidente brasileira e chanceler alemã se reúnem em Brasília para tratar de pontes com o Mercosul

 BRASÍLIA – O rápido encontro entre a presidente Dilma Rousseff e a chanceler alemã, Angela Merkel, na noite deste domingo, 15, em Brasília, não fugiu do roteiro economia e governança digital, pontos altos das relações Brasil- Alemanha nos últimos anos. Em meio à estagnação das negociações para um acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia, as duas chefes de governo se comprometeram a investir na proposta, que interessa aos dois lados, mas não teve avanços nos últimos meses.

Merkel chegou a Brasília durante a tarde e teve encontros com empresários de indústrias alemãs que atuam no Brasil. A chanceler chegou para um jantar com Dilma no Palácio do Alvorada por volta das 19h. O encontro de trabalho durou cerca de uma hora. “Reafirmei a determinação do Brasil e do Mercosul em avançar nas negociações para o acordo comercial com a União Europeia que nos permite aumentar nosso intercâmbio”, afirmou Dilma ao final da reunião, em uma declaração à imprensa.

“Temos de fato muito interesse comum em que o acordo de livre comércio entre Mercosul e UE seja desenvolvido. Farei o possível para que possamos prosseguir, para que não tenhamos entraves”, disse Merkel.

Andre Dusek/Estadão
Presidente brasileira recebe Angela Merkel

Depois de seis anos parado, o acordo voltou a ser negociado em 2012. Em janeiro deste ano, deveria ter sido iniciado o processo de troca de ofertas entre os dois blocos, o que não aconteceu. Em dezembro, os europeus pediram mais prazo. À época, o ministro das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo, chegou a dizer que o Mercosul estaria pronto quando os europeus estivessem. No entanto, até hoje Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai não conseguiram chegar a uma proposta mínima razoável, com oferta de 90% das linhas de bens para serem liberados, muito em função das dificuldades apresentadas pela Argentina. Não há nenhuma data prevista para apresentação de propostas.

Apesar de visões diferentes sobre o remédio para a crise econômica mundial, as duas chefes de governo se aproximaram recentemente, especialmente depois do escândalo da National Security Agency, em que tanto Dilma quanto Merkel foram espionadas pelos americanos. À época, os dois governos trabalharam juntos para aprovar nas Nações Unidas uma resolução sobre privacidade na Internet. Alemanha e Brasil também se uniram para tentar mudar a governança global da rede. O tema continua em alta.

“Avalio como sendo extremamente positiva a resolução de proteção à privacidade na era digital proposta pelo Brasil e Alemanha aprovada na ONU. Este foi, sem dúvida, um passo importante. Os desafios existentes para assegurar os direitos individuais requerem olhar estratégico e atenção crescente da comunidade internacional”, disse Dilma. “Ficamos muito contentes por ter iniciado na ONU as discussões sobre os direitos das pessoas na era digital, com o direito à privacidade e penso que essa concepção pode ser continuada”, completou a chanceler alemã.

O encontro entre as duas chefes de governo foi rápido, mas serviu como base para uma possível visita de Estado no ano que vem. Principal parceiro econômico do Brasil na UE, a Alemanha tem interesse em implementar um mecanismo de consultas intergovernamentais para destravar mais rapidamente pontos que atrapalham o comércio e também a entrada de pequenas e médias empresas alemãs no mercado brasileiro.

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