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Dilma é 'esquecida' em entrega de residências do Minha Casa Minha Vida

Políticos presentes em cerimônia não mencionaram nome da presidente e moradores do loteamento não vêem conexão do benefício com a figura dela

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Isabela Bonfim , enviada especial a Luziânia (GO),
O Estado de S.Paulo

14 Março 2016 | 20h52

A presidente Dilma Rousseff acabou "esquecida" durante inauguração de mais um conjunto habitacional do Minha Casa Minha Vida, programa símbolo de seu governo. Os moradores do loteamento de 499 casas, localizado em Luziânia, Goiás, não vêem conexão do benefício com a figura de Dilma e pediram a saída da presidente do cargo. Já políticos locais da base do governo não chegaram a mencionar o nome de Dilma durante o evento, que foi conduzido pelo ministro das Cidades, Gilberto Kassab (PSD-SP).

"Amei a casa. Veio no momento em que eu mais precisava", afirmou Leila Pereira, 38 anos. Diarista, ela não pode trabalhar porque está grávida do quinto filho e enfrenta uma gestação de risco. A família sobrevive com rendimentos do Bolsa Família, mas Leila não sabe que o loteamento também faz parte do programa habitacional da presidente Dilma Rousseff. Ela conta que sempre falou diretamente com a prefeitura durante o processo de aquisição do imóvel.

Para saber se podia aumentar a casa de 36m², Leila consultou o prefeito de Luziânia, Cristóvão Tormin (PSD-GO). "O prefeito disse que a casa é minha e eu posso aumentar mais para trás", afirmou. A assessoria do Ministério das Cidades confirmou que a distribuição das moradias é coordenada pelas prefeituras e que, naturalmente, os moradores conectam o programa ao governo local e aos bancos públicos que financiam os imóveis.

Os moradores elogiaram as instalações da casa nova e o fato de todas as unidades terem captação de energia solar para abastecer o chuveiro. Eles acreditam que vai ajudar a economizar na conta de luz. Entretanto, nenhum dos beneficiários entrevistados pela reportagem defendeu a presidente.

Carla Moraes, 29 anos, recebeu as chaves e comemorou o preço acessível da casa nova. "O valor é simbólico de tão barato que é", afirmou. Ela, que é dona de casa, vai pagar prestações mensais de R$ 25 por dez anos até quitar o imóvel. Apesar de feliz com o benefício, Carla criticou a presidente e espera que Dilma saia do cargo. "Eu sou a favor das manifestações. A luz aumenta, a comida aumenta. Talvez com o afastamento dela, isso possa melhorar", disse. 

Oziris de Souza, 36, é vigilante e também trabalha como ajudante de pedreiro para complementar a renda. Por causa da situação econômica, ele defende que a presidente saia do governo. "Ela causou muito desemprego para o povo em geral, está cada vez mais difícil achar trabalho", disse. Ana Kelly Silva, 29 anos, disse que tem visto muitas acusações à Dilma na televisão e que a presidente está sendo "muito omissa".

Sem menções à presidente - A cerimônia contou com a participação do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), e de políticos locais da base do governo, a maioria do mesmo partido do ministro Kassab. Todos fizeram discurso para as famílias que recebiam as casas, mas nenhum chegou a mencionar o nome da presidente Dilma Rousseff. Perillo, que é tucano, agradeceu as parcerias com o governo federal, mas não falou sobre a presidente. Nem mesmo o deputado federal petista Rubens Otoni (PT-GO) citou o nome de Dilma.

"No Estado de Goiás, o governo da presidente Dilma, que não pôde vir hoje, junto com o governador Marconi Perillo, tem muito do investimento do Ministério das Cidades", disse Kassab, ao fazer a única menção ao nome da presidente durante todo o evento. O ministro direcionou seu discurso às famílias beneficiadas e não falou sobre política no palanque.

Em entrevista ao Estado, Kassab não respondeu se permanece no governo. Com o agravamento da crise política e a possibilidade de impeachment da presidente, os principais partidos da base, como o PMDB, ensaiam uma saída do governo com o abandono de cargos em ministérios e secretarias. Kassab assumiu o cargo em janeiro de 2015 e ganhou visibilidade ao viajar o País fazendo entregas de complexos residenciais e obras de infraestrutura e saneamento básico.

O ministro é presidente licenciado do PSD e fundou o partido em 2011, quando levou com ele diversos deputados de oposição para a base do governo Dilma. Atualmente o partido compõe uma das maiores bancadas da Câmara dos Deputados, onde terá início a tramitação do processo de impeachment da presidente.

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