Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Dilma diz que denúncia de impeachment contra ela é 'ridícula'

Presidente voltou a afirmar que não cometeu nenhum crime de responsabilidade e alfinetou Eduardo Cunha (PMDB)

Lígia Formenti e Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

29 Abril 2016 | 13h22

BRASÍLIA - A presidente Dilma Rousseff classificou como “ridícula” a denúncia feita contra ela que é a base do processo de impeachment em julgamento pelo Senado e que será votado dentro de uma semana pela comissão especial. A presidente aproveitou solenidade no Palácio do Planalto nesta sexta-feira, 29, para falar sobre seu processo de afastamento.

“Tenho clareza de que é ridícula a acusação. O que fizemos foi garantir programas sociais, o plano safra e investimentos para a indústria”, desabafou a presidente, que voltou a dizer que “há, de fato, um processo em curso, e esse processo tem um nome: é golpe. É uma nova eleição indireta coberta com o manto do impeachment, eleição indireta daqueles que não tiveram votos nas urnas, nas eleições de 2014”.

Em outro trecho de sua fala, a presidente mencionou várias vezes o termo "meias verdades" para falar sobre o processo de impeachment. Voltou a dizer também que “é preciso haver crime de responsabilidade” e “se não houver o processo é um golpe”. Voltou ainda a lembrar que não só ela, mas todos os governos fizeram pedaladas.

"Se não houver crime de responsabilidade, o processo é um golpe. Os fatos que me acusam foram praticados pelos governos que me antecederam e nenhum desses atos foram considerados criminosos pelos governos que me antecederam e também pelo meu governo nos anos 2011, 2012, 2013", completou a presidente.

Dilma disse que ampliar gastos sociais é obrigação de presidente eleito pelo voto direto e secreto.

A presidente voltou a alfinetar o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), afirmando que as acusações contra ela não são sobre contas no exterior. Ela reafirmou que não tem conta no exterior e não praticou atos de corrupção.

Dilma afirmou que vem sendo acusada por ter aumentado os gastos em hospitais federais. "Qual é a alegação principal? Que tendo de fazer cortes, ampliamos os gastos. Mas se esquecem que já tínhamos feito cortes."

Ela argumentou que governo federal faz transferência de renda, por meio da Bolsa Família e do seguro-desemprego. "Essa transferência de renda, não tem caixa a administração federal para fazer isso. A gente faz isso com banco público. Contratamos o serviço da Caixa Federal. A discussão é: quanto tempo levamos para pagar as diferenças. No início, não sabemos quantas pessoas vão pedir, por exemplo, o seguro-desemprego."

Segundo a presidente, ao longo dos anos, essa diferença sempre foi positiva e a União sempre passou mais dinheiro do que recebeu. Em alguns momentos, disse, essa relação pode ter invertido. "Mas isso era temporário", completou. Ela citou também as acusações sobre os subsídios realizados para viabilizar alguns programas, como o Minha Casa Minha Vida.

Dilma afirmou ainda ter clareza de que é ridícula a acusação. "O que fizemos foi garantir programas sociais. Há de fato um processo em curso, e esse processo tem um nome: é golpe", completou.

A presidente voltou a falar que essa é uma nova eleição indireta "coberta com o manto do impeachment" e avaliou que isso é romper com as bases do Estado democrático de governo.

Ela disse ainda que a sua luta não é apenas para preservar o mandato. A luta, afirmou, é para garantir e preservar conquistas históricas da população brasileira, como o Mais Médicos e o Serviço Único de Saúde (SU), e para garantir que a democracia tenha um sentido substantivo.

"Tenho certeza de que ferimento à democracia está sendo praticado neste momento. Temos de ter ciência disso. Para o presente e para o futuro. A democracia será sempre o lado certo da história."

Os ministros e secretários que falaram na cerimônia também fizeram discursos altamente políticos, nos quais defenderam a presidente Dilma. O ministro interino da Saúde, Agenor Álvares, disse que “só um governo legitimamente eleito pela população teria coragem de enfrentar esses problemas (para instalar Mais Médicos)”. O secretário de Gestão do Trabalho do Ministério da Saúde, Heider Pinto, por sua vez, citou que “a sociedade brasileira estava ameaçada por um golpe” e que somente a presidente Dilma, por ter sido “eleita diretamente pelo povo teve coragem de lançar o programa”. Segundo ele, a população “não aceitará retrocessos”, “os 65 milhões de atendidos não aceitarão o fim do programa”.

O presidente da Frente Nacional de Prefeitos, Márcio Lacerda (PSB), prefeito de Belo Horizonte, no entanto, fez um discurso mais sóbrio. Ele se limitou a elogiar o programa , lembrando que mais de 700 municípios não possuíam médicos.

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