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Política

Dilma Rousseff

Dilma diz que não cabe ao governo interferir em questões internas de partidos

Presidente afirmou que não vai interceder no processo de escolha do líder do PMDB na Câmara e que nenhum governo pode querer 'guerras' entre siglas nem dentro delas

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Carla Araújo, Isadora Peron, Tânia Monteiro, Daiene Cardoso e Rachel Gamarski,
O Estado de S.Paulo

15 Janeiro 2016 | 14h08

BRASÍLIA - A presidente Dilma Rousseff afirmou nesta sexta-feira, 15, que o governo não vai interferir no processo de escolha do líder do PMDB na Câmara dos Deputados e que tem toda consideração pelo vice-presidente Michel Temer. Segundo a presidente, não cabe ao Planalto interceder em assuntos internos "de partido algum".

"Não interferimos sob nenhuma circunstância nas questões internas, e não é só do PMDB, com o PT é a mesma coisa", afirmou, em café da manhã para jornalistas de sites, revistas e agências internacionais. "Não cabe ao governo interferir em questões internas de partido algum, não é certo isso, nem tampouco democrático".

Segundo a presidente, nenhum governo pode querer "guerras" entre partidos nem dentro das siglas e é fundamental que as agremiações estejam harmônicas e unidas para que se chegue à estabilidade das relações. "É papel do governo querer-se estabilidade. O governo sempre precisa de mais estabilidade que instabilidade."

Temer. Dilma disse que a relação com o vice-presidente está harmoniosa e que ela, especificamente, tem "toda consideração com o presidente Temer". "Para nós é muito importante uma relação de absoluto respeito, proximidade, fraterna com o presidente Temer", afirmou, ressaltando "que tem conversado com ele".

Nesta semana, Temer, que trabalha para garantir sua continuidade como presidente do PMDB, apoiou a ação do Planalto de sondar o deputado Mauro Lopes (PMDB-MG) para assumir a Secretaria de Aviação Civil. "Ele é o meu companheiro, é secretário do partido há muitíssimos anos. É um ótimo quadro", disse o vice. A pasta era ocupada por Eliseu Padilha, aliado de Temer que deixou o cargo no início de dezembro, após o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), aceitar o pedido para abertura de impeachment de Dilma.

Após ser sondado pelo Palácio do Planalto, Lopes havia demonstrado interesse em assumir a pasta, mas sinalizou a aliados que só iria aceitar o convite com a bênção de Temer, que é presidente nacional do PMDB. Depois de uma conversa de mais de uma hora, o deputado deixou o gabinete do vice afirmando que Temer apoiaria o seu nome para o cargo caso o convite fosse oficializado pela presidente Dilma Rousseff. A presidente, entretanto, ainda não bateu o martelo sobre a indicação de Lopes.

A ideia inicial era dar o cargo ao peemedebista como uma tentativa de ajudar a reconduzir Leonardo Picciani (RJ), que é contra ao impeachment da presidente, à liderança do PMDB na Câmara. Ao oferecer espaço ao parlamentar mineiro, o Planalto imagina neutralizar a bancada do partido de Minas Gerais, que quer indicar um candidato para concorrer com Picciani.

Ouça a entrevista completa

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