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Dilma diz que 'julgamento é apressado'

Fernando Travaglini e Tiago Décimo ENVIADOS ESPECIAIS

29 Março 2014 | 23h 52

Rebaixada por agência, com popularidade em queda e fustigada por crise da Petrobrás, presidente refuta 'conclusões precipitadas'

COSTA DO SAUIPE (BAHIA) - Falando sobre economia pela primeira vez desde o rebaixamento da nota de crédito do Brasil pela Standard & Poor’s, a presidente Dilma Rousseff reafirmou ontem seu compromisso com a estabilidade econômica e disse que não se abala com "julgamentos apressados", que, segundo ela, são frutos de "avaliações subjetivas e até mesmo interesses políticos".

"Não nos abalaremos com julgamentos apressados e com conclusões precipitadas que a realidade desmentirá. Todos sabemos que, em economia, a realidade dos fatos sempre se impõe", afirmou a presidente.

A declaração foi feita a um grupo formado por investidores e banqueiros estrangeiros, durante a abertura do encontro anual do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), na Costa do Sauipe (BA).

Sem citar nominalmente a S&P, que na semana passada rebaixou a nota de crédito do Brasil de BBB para BBB-, Dilma disse que "em alguns momentos, expectativas, especulações, avaliações subjetivas e até mesmo interesses políticos podem obscurecer a visão objetiva dos fatos". Durante a sua fala, a presidente também não mencionou a criação da CPI para investigar os problemas na Petrobrás.

Dilma afirmou ainda que vai continuar trabalhando para manter o País no "rumo certo". "Não vamos abdicar, em nenhum momento, do nosso compromisso fundamental com a solidez da economia e com a inclusão e o desenvolvimento social e ambiental do país", completou a presidente.

Ela defendeu que nos últimos 11 anos, período em que o PT está no comando da Presidência da República, o Brasil se tornou a sexta economia do mundo e atingiu a estabilidade macroeconômica, com inflação estável e contas fiscais robustas. Segundo a presidente, isso só foi possível porque o governo está absolutamente convencido da necessidade de preservar a solidez dos fundamentos macroeconômicos do País. "Assumimos essa tarefa como um compromisso inarredável com o nosso povo", disse ela.

Desafios. Durante o seu discurso, a presidente fez questão de afirmar que "o Brasil vai bem", mas admitiu que ainda há muitos desafios a serem superados. "Podemos nos orgulhar de termos construído um caminho para o desenvolvimento. O Brasil vai bem e irá melhor", disse.

Dilma defendeu também que o governo já fez o mais urgente pela população e que agora "devemos e podemos fazer ainda mais". "Democracia gera desejo de mais democracia. Inclusão social provoca a necessidade de mais inclusão social", afirmou. "Todos os avanços conquistados são só um começo. O início de outro processo."

Para a presidente, o Brasil vive um novo desafio histórico: o de acolher e de atender às reivindicações e aos anseios da população, que pede melhores condições de vida. "Ao promover ascensão social criamos um imenso contingente de cidadãos com mais acesso à informação e mais consciência de seus direitos", afirmou.

Na semana passada, o Palácio do Planalto foi surpreendido com a queda da popularidade de Dilma. Segundo pesquisa Ibope divulgada na quinta-feira, a avaliação positiva do governo caiu de 43% para 36% em relação a novembro.

De acordo com o instituto, os entrevistados demonstraram uma preocupação maior com as políticas econômicas adotadas pelo governo, principalmente no que diz respeito à inflação e ao desemprego.

Inflação. O assunto não ficou de fora da fala da presidente. Ela disse ontem que inflação este ano vai se manter dentro da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional. Segundo as regras atuais, o centro da meta é de 4,5%, mas há um intervalo de tolerância de dois pontos porcentuais para cima ou para baixo. Assim, o IPCA pode chegar a 6,5% sem que a meta seja formalmente descumprida. Na semana passada, o Banco Central revisou sua expectativa para o crescimento da inflação em 2014 e sinalizou que ela pode superar a barreira dos 6%..

"A inflação está há dez anos dentro dos limites definidos pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Será assim em 2014. Nos últimos anos reduzimos a relação dívida do setor público sobre o PIB. Essa trajetória, asseguro, também será mantida", disse a presidente.