Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Dilma diz que 'há luz no fim do túnel' se Congresso mostrar compromisso com País

Presidente afirmou que é importante que deputados e senadores que votarão os vetos deixem de lado os interesses partidários

Elizabeth Lopes, O Estado de S. Paulo

07 Outubro 2015 | 10h09

SÃO PAULO - A presidente Dilma Rousseff disse nesta quarta-feira, 7, que, a despeito da crise que assola o País, vê "luz no fim do túnel", desde que o Congresso Nacional também faça a sua parte na apreciação dos vetos presidenciais. "Estou vendo luz no fim do túnel, mas o Congresso Nacional tem de mostrar seu compromisso com o País", disse Dilma, em entrevista às rádios Metrópole de Salvador e Barreiras, na Bahia, onde cumpre agenda na tarde de hoje, em cerimônia de entrega de casas do Minha Casa, Minha Vida. 

Ao falar da análise dos vetos presidenciais pelo Congresso, Dilma mandou um recado aos parlamentares, ressaltando que é importante que deputados e senadores coloquem os interesses do País acima dos partidários e pessoais. "É fundamental que os interesses do Brasil sejam preservados". E voltou a alertar que é impossível, neste momento de crise, o País aumentar desproporcionalmente as suas despesas. 

Nessa terça, por falta de quórum, a sessão conjunta da Câmara e Senado para análise dos vetos foi mais uma vez adiada. Entre os itens polêmicos está o que veta o reajuste salarial de até 78,56% para os servidores do Judiciário e o veto à correção das aposentadorias e pensões acima de um salário mínimo com ganhos reais. 

Dilma fez uma analogia com as donas de casa, dizendo que elas sabem que, nos momentos difíceis, é preciso conter as despesas de suas casas. Apesar do recado aos congressistas, ela disse crer que o Congresso Nacional irá demonstrar este compromisso com o Brasil. A sessão para apreciação dos vetos foi remarcada para a manhã desta quarta-feira.

Golpe. A presidente foi indagada, na entrevista, sobre as pressões que vem recebendo, principalmente de setores da oposição e da sociedade, que defendem seu impeachment ou sua renúncia. "A democracia brasileira é forte o suficiente para prevenir que variantes golpistas tenham espaço no cenário político brasileiro", respondeu. 

Na sua avaliação, é impossível achar que se faz um serviço à democracia, "tentando métodos para encurtar a chegada ao governo, pois o único método reconhecido para se chegar ao governo é o voto direto nas urnas". E repetiu que o Brasil tem uma democracia robusta e instituições fortes que prezam a liberdade de opinião e expressão.

Na entrevista às rádios da Bahia, Dilma disse novamente que o País precisa voltar a crescer, gerar empregos e melhorar suas oportunidades. "O desafio duplo é reequilibrar o orçamento e manter programas sociais e investimentos", destacou, informando que hoje estará na Bahia para a entrega de moradias populares. Apesar de reconhecer que a inflação tem crescido, disse que a tendência é de queda, "fato reconhecido até mesmo pelo mercado", e que sua gestão tem feito todos os esforços nesse sentido. A presidente falou também da reforma ministerial que anunciou na sexta-feira passada, destacando que sua gestão tem feito a sua parte no esforço de saída da crise. 

A presidente Dilma Rousseff participa hoje de cerimônia de inauguração de unidades habitacionais do Minha Casa, Minha Vida, no residencial São Francisco, na cidade de Barreiras, na Bahia. Prevista inicialmente para as 10 horas, a agenda foi transferida para 15 horas. Confirmaram presença no evento os ministros da Casa Civil, Jaques Wagner, das Cidades, Gilberto Kassab, a presidente da Caixa, Miriam Belchior, e o governador da Bahia em exercício, João Leão, já que o titular Rui Costa está na Europa em viagem de negócios, e o prefeito de Barreiras Antonio Henrique Moreira.

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