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Dilma dá posse a ministros e diz que ‘povo percebe quem está do lado dele’

Tânia Monteiro e Rafael Moraes Moura - O Estado de S.Paulo

17 Março 2014 | 11h 04

Declaração de presidente ocorre num momento de crise com bancada do PMDB na Câmara dos Deputados, que não enviou representantes para a cerimônia no Planalto

Brasília (atualizado às 23h40) - Na posse de seis novos ministros, nesta segunda-feira, 17, a presidente Dilma Rousseff afirmou que o povo "percebe muito bem quem está do lado dele". A frase, dita na breve cerimônia, ocorre num momento de crise com o PMDB da Câmara dos Deputados, que na semana passada impôs derrotas ao governo.

Nenhum representante da bancada rebelde apareceu no evento do Palácio do Planalto – nem mesmo o presidente da Casa, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN).

A reforma ministerial foi um dos motivos da rebelião – outros foram a falta de liberação de emendas, as alianças estaduais e o temor dos governistas de crescimento da bancada petista na Câmara nas eleições de outubro.

Os peemedebistas da Câmara não se mostraram satisfeitos com as escolhas da presidente para ocupar as pastas de Turismo e Agricultura, cota dos deputados do partido.

Vinícius Lages, ligado ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), ocupou a primeira pasta no lugar do deputado Gastão Vieira (PMDB-MA). Néri Geller (PMDB) ocupou a segunda no lugar do deputado Antonio Andrade (PMDB-MG).

"Esses brasileiros que aqui estão hoje são responsáveis por a gente estar construindo o Brasil do presente. O povo brasileiro é sábio e percebe muito bem quem está do lado dele. Asseguro aos senhores que esses ministros que saem e os que entram estão ao lado do povo brasileiro", afirmou Dilma no Planalto.

Também tomaram posse nesta segunda Clélio Campolina Diniz na pasta de Ciência, Tecnologia e Inovação, substituindo Marco Antonio Raupp; Gilberto Occhi na pasta das Cidades, no lugar de Aguinaldo Ribeiro (PP); Eduardo Lopes (PRB) na da Pesca, antes sob comando de Marcelo Crivella (PRB); e Miguel Rossetto (PT) na do Desenvolvimento Agrário, no lugar de Pepe Vargas (PT).

  Pivô da crise no Congresso, o líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha (RJ), fez questão de dizer que só chegaria a Brasília no fim da tarde. Já Alves justificou a ausência dizendo que tinha compromissos no Rio Grande do Norte. Ele articula o lançamento de sua candidatura a governador em uma chapa que exclui o PT e abriga as legendas dos candidatos de oposição a Dilma neste ano, Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB).

O líder do PMDB no Senado, Eunício Oliveira (CE), disse que a crise parlamentar já foi amenizada e que "a principal preocupação é com as alianças com os Estados". "Essa questão, sim, poderá gerar uma verdadeira crise, e não essa disputa de cargos por oito meses (dos novos ministros)."

Marco da internet. Nesta segunda, após o evento, o governo passou a agir para evitar uma derrota no projeto que cria o Marco Civil da Internet, primeiro item da pauta na Câmara, e na análise do veto da presidente à criação de novos municípios.

No início da noite, o vice-presidente Michel Temer, presidente licenciado do PMDB, e os ministros da Secretaria de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, e da Justiça, José Eduardo Cardozo, se reuniram com Cunha para tratar do projeto do Marco Civil da Internet.

O objetivo do governo era minimizar a resistência dele e da bancada do partido ao texto, considerado prioritário pelo Palácio do Planalto. Não houve acordo na reunião e o projeto deve ir a plenário nesta terça.

Na semana passada, Cunha liderou o PMDB e, apoiado por partidos da oposição, derrotou o Planalto ao conseguir a provar a criação de uma comissão externa de parlamentares para investigar denúncias de propina a funcionários da Petrobrás. Os rebeldes da base aliada ainda aprovaram requerimentos chamando dez ministros para falar no Congresso sobre os mais diversos problemas do governo. Tudo para desgastar Dilma.

Agora, o projeto do Marco Civil da Internet está sob risco. Na questão do veto aos municípios, os senadores do PMDB devem garantir a vitória do governo. / COLABOROU ERICH DECAT